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Rui Pereira

Rui Pereira

Professor universitário

Pontes e consensos

17 de outubro de 2026 às 00:30

No tom moderado e com a ponderação que se lhe reconhecem, António José Seguro sublinhou a importância de pontes e consensos a propósito do nosso papel no mundo. Como o Presidente da República também assinalou, Portugal não tem dimensão nem vocação para impor regras, tendo em conta a extensão territorial, a população e o poderio militar. Não é, porém, com esse material que se constroem os consensos que honram o que há de melhor na nossa História nem as pontes destinadas a unir margens de oceanos. É com o cimento do humanismo, que nos colocou na primeira fila da luta contra a pena de morte, e com o aço do Direito Internacional, que nos permitiu resgatar Timor para redimir um erro do passado. Não é possível consensualizar a tortura, as mortes arbitrárias ou as execuções públicas, que hipotecam o maior trunfo do Estado de Direto na luta assimétrica contra o terrorismo. Não há pontes para violar o Direito Internacional que devam encontrar Portugal no seu trajeto. Não nos faltam dimensão e vocação para tornar claros tais princípios. A “Realpolitik” e a lei da selva, essas já têm cultores em excesso e costumam dispensar pontes e consensos.

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