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Leonor Pinhão

Cronista

Glória de Otamendi

18 de julho de 2026 às 00:30

Amanhã joga-se a final do Mundial entre espanhóis e argentinos e somos livres de escolher os nossos preferidos para a ocasião. De certeza que já aconteceu a muito boa gente, quando se viu na qualidade de espetador de credos alheios aos dos emblemas em compita, ter escolhido uma das equipas para sofrer com as suas cores (o futebol sem sofrimento não tem graça) e acabar por mudar de lado durante o jogo porque alguma sucedeu com impacto nas afeições pré-declaradas. A primeira vez que me aconteceu semelhante coisa foi em 1967 na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus que se decidiu em Lisboa entre o Inter de Milão e o Celtic de Glasgow. Nas convicções dos meus dez anos declarei o meu apoio à equipa italiana porque os escoceses tinham atirado com o Benfica para fora da competição numa decisão por moeda ao ar para desempatar a eliminatória que conduziria à final da competição. Foi, portanto, com esse espírito vingativo que me postei em frente da televisão decidida a sofrer pelo Inter até ao momento em que o guarda-redes italiano, Giuliano Sarti, tratou com maus modos um apanha-bolas de serviço no Jamor, um rapazinho provavelmente da minha idade, por ter demorado a recuperar a bola atrasando-lhe o pontapé de baliza de reatamento da partida. A partir desse instante passei a desejar a vitória dos escoceses. Foi o melhor que fiz porque acabaram por vencer o jogo e, com todo o merecimento, lá levaram a Taça dos Campeões Europeus para a Escócia.

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