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Leonor Pinhão

Cronista

Dignidade tangencial

11 de julho de 2026 às 00:30

O país sossegou, finalmente, na segunda-feira. A seleção voltou para casa, os adeptos que enchiam praças e esplanadas para ver a bola voltaram para suas casas, o coitado do selecionador nacional voltou definitivamente para a casa dele, e o próprio primeiro-ministro de Portugal arrumou o cachecol e voltou para casa aborrecidíssimo. Uns a jogar, outros a apoiar, outros a mandar e outros a abusar, todos deram tudo o que tinham e o que não tinham no apoio à equipa nacional que caiu nos oitavos de final do campeonato do mundo de futebol e caiu com inteira justiça. A Espanha foi melhor. Foi um coletivo que soube fazer funcionar a sua constelação de talentos individuais, foi um ‘onze’ sólido enquanto Portugal lá foi resistindo enquanto pôde graças ao seu inspiradíssimo guarda-redes e ao espírito de sacrifício da equipa, que soube colmatar aquela mais do que aparente inferioridade numérica desde o pontapé de saída com uma entrega total dos seus jogadores de campo. Não há nada a apontar aos jogadores portugueses. Deram-se ao jogo, obedeceram à voz de comando e chegaram exaustos ao fim da partida e da competição. O golo de Mikel Merino, no primeiro minuto do tempo de compensação, foi, por tudo isto, uma bênção.

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