Não é de crer que a situação tenha piorado, agora que se vive uma situação de paz, embora não muito consolidada. O que deve estar a acontecer, é que o Governo tem mais controlo sobre o território e a própria UNITA facilita as acções de rastreio, para ver se lhe calha alguma coisa. Também deve acontecer que se exagera no número para se conseguir o máximo possível dos apoios internacionais.
A riqueza acumulada de dos Santos chegaria para matar a fome àquela gente. Porque não o aumentam de ordenado para o dobro e ele por sua vez devolve a fortuna que abarbatou aos seus concidadãos?
Na recente cimeira do Canadá, os países mais ricos do Mundo, os G-8, nem sequer abordaram a situação em Angola, para grande desespero das organizações humanitárias que pareciam estar a contar com substanciais ajudas para brilharem com o dinheiro dos outros.
Sim, porque as organizações humanitárias praticam o "bem" com o dinheiro dos outros e, algumas há, que são o emprego normal e bem remunerado, de todos os seus elementos. Vivem da miséria dos outros, com ordenados chorudos, deslocações, ajudas de custo, viagens etc.
Quando o cidadão dador julga que está a ajudar os miseráveis, antes de tudo está a encher os bolsos desses sujeitos e sujeitas, autênticas moscas dos cadáveres, sempre prontas a pousar na matéria orgânica putrefacta, quanto mais mal cheirosa melhor, para as moscas claro.
Uns foram para o Camboja, outros para o Vietname, outros ainda para Angola, Moçambique etc. Dão-se mesmo ao luxo de escolherem a organização internacional que executa a "acção humanitária". A ONU é a preferida, porque paga os mais elevados salários.
Timor foi um autêntico escândalo e portugueses houve que estando a executar as mesmas funções, os que eram contratados pela UNTAET, ganhavam duas ou três vezes mais do que os que estavam à responsabilidade do Comissariado, dirigido pelo frei Vítor Melícias.
Ainda por cima, os onusinos eram pesporrantes, pouco colaborantes, e assumiam fumos de superioridade, vaidosices estas que caíram muito mal, perante tanta miséria. Ser humanitário da ONU é que está a dar e que se dane quem morre à fome.
Uma comissão de quatro portugueses amigos do tenente coronel Maggiolo Gouveia, barbaramente seviciado e fuzilado em Aileu, a 28 de Dezembro de 1975, pelos actuais senhores de Timor, trabalhando em apoio da família daquele heróico mártir, conseguiu, mercê da bondade sempre disponível do frade Franciscano Vítor Melícias, enviar a Timor o médico dr. Rui Maggiolo Gouveia.
Ele pretendia, com uma investigação no local, identificar a vala onde o pai foi enterrado, exumar as ossadas e trazê-las para Terras de Santa Maria, missão bem triste para um filho que quase não conheceu o pai. Reconhecer a vala, ainda conseguiu, já que testemunhas e recordações ainda havia por todo o lado, mas exumar os restos mortais e recolhê-los não foi possível, porque dava muito trabalho à ONU!
O filho de Maggiolo veio de Timor de mãos a abanar e nós estamos revoltados perante tanta indiferença e falta de caridade . As "moscas dos cadáveres" marimbaram-se para esta tragédia que não lhes dava dinheiro e às autoridades timorenses interessa-lhes mais os milhões que Portugal lá despeja que fazer justiça a um homem que fuzilaram!
E as autoridades portuguesas que todas lá estiveram nas festanças da independência e que têm a faca e o queijo na mão e até lá têm um Batalhão de Para-quedistas, que fizeram? O Presidente da República não fez nada, que se saiba.
Como é costume, o assunto não é com ele, embora Maggiolo fosse um militar português dos melhores e S. Ex.ª seja o Comandante Supremo da Forças Armadas. Os membros do Governo que lá estiveram, deste Governo que pretende fazer coisas, ser rigoroso e justo e que sabe de ciência certa o que aconteceu a Maggiolo, também nada fizeram. Porque terá sido? Têm medo de Maggiolo?
Já lhes dissemos, a um e a outros que não se pretende vingança, nem desforço, nem sequer justiça. Pretende-se apenas, o mais discreta e ignoradamente possível, enterrar Maggiolo em Mação, sem discursatas, nem cerimónias fúnebres que bem as merecia, nem jornais, nem televisões pantomineiras. Empenhamos nisto a nossa palavra honrada, que, custe o que custar, vamos cumprir.
Nós, os da comissão, somos do Portugal Velho e Honrado. Fiquem descansadas Excelências. Estamos velhos, mas temos provas dadas de Serviço a Portugal. Sem discursos?!
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