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Veja-se que Chirac, reconciliado com Villepin (Sarkozy que se cuide), justifica a ‘lei celerada’ como motor de emprego mais vasto, mas também de emprego mais frágil. E, em Ottawa, tira-se com uma mão (o direito à residência) o que se deu com a outra (o lugar ao trabalho).

O aforista e poeta Stanislaw Lec e o romancista de ficção científica Stanislaw Lem perguntaram um dia se ‘progresso’ é o uso de faca e garfo pelos canibais.

Ao dar mais, para depois dar menos, o capitalismo ‘progride’? Não sei. Mas, como também dizia Lec, prefiro o letreiro ‘proibida a entrada’, ao dístico ‘saída’.

REFORMADOS E REFORMISTAS

Estava escrito. As forças que acham a paz (com a Palestina) prioritária ganharam largamente – com cerca de 70 lugares em 120 – a eleição israelita. Neste ‘bloco’, não declarado, estão o ‘realista’ Kadima, o novo trabalhismo, o ‘progressista’ Meretz, os partidos árabes (Hadash, Balad, LAU), e até a liga dos pensionistas (GIL), feita de ex-socialistas, comandados pelo homem do Mossad que raptou Eichmann.

Falta à política interna do país uma geração de líderes heróicos e inspiradores? Claro que sim, e por isso a abstenção copiosa. O povo quer tanta segurança social como segurança militar? Evidentemente, e daí o avanço dos reformadores económicos, cruzados anticorrupção e ‘políticos antipolitiqueiros’. A nação está dividida em facções, e nostálgica de tribunos mortos, e legionários em coma? Provavelmente. Todas as coligações serão problemáticas? Por certo.

Mas o conjunto dos que não querem regressar à guerra permanente engrossa. E a nova estrela nacionalista, o Beitenu (do imigrante russo Avigdor Leiberman), promete reestruturar a ‘direita’, tirando-a do gueto caricatural de Netanyau. Ou seja: em Israel, há mais coisas no céu e na terra do que a nossa vã filosofia possa compreender.

-Rice ri-se? Não, propriamente. Na britânica (e islâmica) Blackburn, Condoleezza reconhece os “milhares de erros tácticos” no Iraque, mas reafirma a “correcção estratégica”.

- Dois vizinhos leste-africanos, o Chade e o Sudão, continuam à beira de uma guerra por interpostos grupos dissidentes, na Faixa de Adré. Ao lado fica a chaga de Darfur e a memória da ‘fronteira’ entre negritude e arabismo. A memória é explosiva.

- A próxima visita angolana de José Sócrates é bem-vinda. Independentemente do que se pensar sobre o regime de Luanda, as eleições eternamente adiadas, os abismos sociais, a corrupção e o nepotismo, está ali uma prioridade portuguesa.

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