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No dia do trabalhador, será oportuno considerar esse bem agora tão precário e no futuro escasso. O capitalismo liberal fez deslizar o trabalho para a espécie de mercadoria e o efeito está à vista. Defendemos que o trabalho tem prioridade e superioridade na economia, porque esta resulta do labor humano. Como bem fundamental, o trabalho é expressão pessoal dos indivíduos, meio ordinário de subsistência, contributo para a vida em comum, colaboração na obra criadora de riqueza, em continuidade com a criação operada por Deus. Graças ao trabalho, reparte-se o património desfrutado a partir quer da natureza, quer da técnica como fruto da invenção humana, quer, ainda, da convivência socio-política de um país.

Cada ser humano, pelo exercício de um trabalho, cumpre um dever e desenvolve um direito. O desemprego e o subemprego, com crescentes proporções, constituem uma calamidade social que requer mobilização e reorganização pa-ra uma correcta distribuição, exige mudança de mentalidade para optar e dirigir um sustentado desenvolvimento, pede impulso de educação e formação profissional.

Quando a regulação do mundo laboral obedece a critérios puramente decorrentes da hora, sem base natural, fica nas mãos das pressões dos poderosos. Assim se tende a degradar o trabalho e a espezinhar o trabalhador.

Relacionado com o emprego, (mais do que com o trabalho!) está o salário. A falta de equidade é aqui gritante e obscena. Salário suficiente será aquele que cobre o total das necessidades do trabalhador, sejam as básicas e vitais, sejam as de criar autonomia de património, a não confundir com o afã de consumismo insaciável. O que se entende por salário justo tem pouco a ver com a visão comercial do círculo produtivo, com o "economicismo materialista". O grau de aplicação dos princípios da justiça salarial tem em conta a situação momentânea da empresa, com realismo. Os níveis dos salários acomodam-se, também, às exigências objectivas reais do bem comum, como a taxa de emprego. Compete à política reguladora dos salários facilitar o acesso do maior número possível de pessoas a um trabalho. Criar oportunidades de trabalho é hoje um precioso contributo para o desenvolvimento.

"Mete-se em trabalhos" uma sociedade que não for capaz: de colocar o trabalho antes do capital; de contabilizar, por exemplo, o trabalho da mãe que se dedica à família; de repartir o bem do trabalho pondo fim aos pluriempregos com chorudas remunerações... Empreguemos todos, cada um a seu nível, as melhores energias para nos prepararmos para um tempo de escassez de trabalho.

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O pinguim é um pássaro, mas não voa. Em compensação, caminha, nada e anda de escorrega. Tal e qual os portugueses.

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