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Confrontaram-se duas formas de ver o mundo e de interpretar a Sagrada Escritura. Infelizmente, prevaleceu a interpretação e a autoridade do Santo Ofício, que impôs a sua mundividência e declarou falsa a "doutrina" do cientista italiano, no dia 22 de junho de 1633, há 380 anos.

A discussão filosófica sobre quem ocupa o centro do Universo debatia-se desde a antiguidade clássica. Impuseram-se as teses de Aristóteles e Ptolomeu, que propunham a Terra como centro do Universo. Essas perspetivas também se acomodavam melhor a uma leitura literal da Bíblia. Com Copérnico, começa a esboçar-se um modelo matemático para comprovar que é a Terra que gira à volta do Sol. Galileu adere à teoria coperniciana e aprofunda-a. Tanto um como o outro acabam por ser condenados pelos juízes da Inquisição, e as suas ideias foram declaradas heréticas, contrárias à doutrina oficial da Igreja.

Foram necessários mais de 300 anos para a Igreja reconhecer o seu erro. Em 1983, João Paulo II institui uma Comissão Pontifícia para rever o processo de Galileu, que em 1992 reabilita as suas teses.

Se a Igreja tem sabido acolher as ideias de Galileu, não só sobre o universo, mas sobretudo sobre a relação entre a fé e a ciência, teria aprendido a lidar melhor com os avanços científicos e a dialogar com a cultura. Para ele, quando um determinado fenómeno, demonstrado pela ciência, entra em contradição com os textos sagrados, então estes devem ser reinterpretados à luz das novas descobertas científicas.

Há algumas décadas que a Igreja deixou de interpretar a Bíblia de forma literal e de a assumir como um tratado científico, para colher a sua sacralidade e riqueza de um texto literário. Ao longo destes quatro séculos, tem-se percorrido um longo caminho no diálogo entre fé e ciência. Porém, continuam a experimentar-se as mesmas dificuldades em acolher os progressos científicos e civilizacionais, quando eles parecem pôr em causa a doutrina oficial da Igreja. Ainda há muito quem assuma um comportamento inquisitorial em vez de uma abertura à novidade que pode enriquecer a doutrina cristã.

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