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Nisto ele dá lições a muitos bipedes. A meiga dentada no dedo e nos anéis do ‘conde’ foi apenas uma pequena distracção. É uma honra para qualquer solípede, ser figura televisiva e, ainda mais cresce o orgulho quando convive em igualdade com colegas da ‘Quinta’ portadores dos melhores adereços, acessórios e perfumes. Quantos não gostariam de estar na pele daquele burro.

Se os olhos do jumento fossem câmaras de filmar, o que não nos teriam já mostrado as televisões. Melhor dizendo, a TVI. Esperemos bem que nenhuma das celebridades ensine o burro a falar sobre o preço da palha alentejana, do feno ribatejano, ou das rações importadas. Há coisas sobre as quais um burro não deve pensar e menos ainda dizer.

Desta ‘Quinta’, uma coisa estamos certos, no final do programa o burro vai carecer de acompanhamento psicológico. Não se pode passar de herói a vilão, de um dia para o outro. Imaginemos a vida do burro, quando lhe faltar o odor do ‘conde’, a mão amiga da Cinha e a capacidade comparativa do brasileiro.

É certo e sabido que o burro vai ter saudades e sentir a dor da ausência. O apetite vai-lhe faltar, a tristeza tocar-lhe-á o coração. Mas pode ser que algum dos colegas célebres tenha um acto generoso, ou seja que leve com ele o pobre jumento e lhe mantenha uma vida feliz.

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