Eduardo Dâmaso

Jornalista

Joana Marques Vidal

10 de julho de 2024 às 00:31
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Perdoem-me, caros leitores, mas esta crónica é uma nota pessoal, de adeus a Joana Marques Vidal. A última vez que a vi foi nos Açores, em fevereiro passado. Bem-disposta, feliz com a sua vida de jubilada, com as suas leituras e passeios, por estar longe da ribalta e poder regressar aos lugares dos seus afetos. Numa das ruas de Ponta Delgada, onde viveu oito anos, foi interpelada por um cidadão que lhe disse: “Doutora Joana, você é nossa! É dos açorianos!”.

Joana Marques Vidal tinha um grande reconhecimento popular, que lhe agradava, mas que nunca a empurrou para aventuras políticas que alguns quiseram atribuir-lhe, numa tentativa de diabolizar a sua ação enquanto procuradora-geral. Neste cargo, Joana protagonizou seis anos sem precedentes. Seguidora de Cunha Rodrigues, originária da esquerda, ainda que nomeada pelo PSD, foi fiel à ideia de que era necessário combater a impunidade e preparar o Ministério Público para trabalhar sempre com atualidade e qualidade.

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Nem mais, nem menos. Recusou sempre o estrelato ou cruzadas. Trabalhou em equipa e lutou, até ao fim, para que o MP fosse reduto de defesa dos mais fracos e desprotegidos, como os menores e as vítimas de violência doméstica. Descontando a subjetividade da amizade, como cidadão sinto-me tributário da sua coragem, empenho cívico e trabalho. Obrigado, doutora Joana Marques Vidal, e um sentido adeus.

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