Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Ética republicana

12 de abril de 2026 às 00:31
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Os dirigentes políticos com poder na máquina do Estado não são os donos da República, devem ser os zeladores do bem comum. Já não estamos no tempo dos senhores feudais e quem é eleito para os cargos públicos e gere o dinheiro dos nossos impostos deve cumprir as regras da ética republicana. A tentação é grande e como o Estado tem muito poder não faltam casos de quem tenta fazer fortuna à conta da influência. Por isso é importante haver mecanismos de prevenção. E o melhor de todos os mecanismo é a transparência e o escrutínio do património dos políticos e dos seus interesses . Mesmo assim há casos,  como os revelados na operação marquês,  em que o enorme enriquecimento patrimonial é escondido em 'barrigas de aluguer' e as fortunas são consideradas provas de generosidade extrema de amigos. E também não faltam narrativas ficcionadas  de parentes afortunados para esconder o enriquecimento súbito. A corrupção e as más decisões políticas para favorecer interesses particulares saem muito caras, porque geram uma ecologia que favorece os corruptos e afasta os mais capazes. Os cidadãos têm piores serviços com custo mais caro. A corrupção enriquece alguns, mas empobrece o País.   

Numa entrevista ao 'Expresso' , Hugo Soares, líder parlamentar do PSD,  defende que as declarações de interesses dos políticos não devem ser públicas. Se isso acontecesse era um passo para mais opacidade. A transparência e o escrutínio dos interesses dos políticos são  a melhor salvaguarda da democracia.     

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