A previsível vitória da extrema-direita na primeira volta das eleições arrasta muitas más notícias sobre o sistema político francês. O xadrez saído da II Guerra já tinha sido varrido pela queda dos comunistas, mais recentemente dos socialistas, agora dos gaullistas. Quando se apresenta em 2017, Macron já era um produto híbrido entre a tecnocracia financeira, a social-democracia e os restos de uma esquerda possibilista e desencantada com os ditos partidos tradicionais. Ao fim de sete anos, Macron prepara-se para deixar, em 2027, uma paisagem política arrasada pelo crescimento do lepenismo, na versão camaleónica que Bardella lhe tem dado, exercendo ou não o poder já a partir do próximo dia 7 de julho. Também por uma esquerda que agora se uniu, e isso permitiu ressuscitar um pouco o PS, mas que continua a não apresentar um projeto político credível. Um projeto que responda às exigências dos franceses em matéria de segurança, salários e pensões, de uma economia que promova a igualdade. Sem isso, a França até pode brindar a esquerda com um resultado favorável no próximo domingo, com a soma dos votos macronistas, mas dificilmente quebrará a atual dinâmica do partido de Le Pen, que aponta às presidenciais. E com uma Europa a tremer, que dificilmente sobreviverá sem a França.
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