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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

Tempestade perfeita

08 de agosto de 2026 às 00:31

Luís Neves e a Polícia Judiciária estão a braços com uma comissão parlamentar de inquérito, um processo-crime por suspeitas de abuso de poder e descaminho de bens, uma auditoria do Ministério da Justiça aos últimos oito anos, uma averiguação prudencial da Procuradoria Europeia aos contratos - e foram muitos - financiados com dinheiro europeu. Também com uma auditoria do Tribunal de Contas e uma averiguação interna da própria PJ. Não seria surpreendente se a este arsenal vier a somar-se um outro processo-crime, a atingir Neves e outros dirigentes da PJ, por suspeitas de recebimento indevido de vantagem. Perante este quadro de tempestade perfeita, a prolongar-se por meses ou anos, alguém acredita que as investigações, na área do crime económico e político, serão avaliadas apenas pelos seus fundamentos jurídicos e não em função de leituras partidárias!? Em breve veremos. Não é preciso ter uma bola de cristal ou informação privilegiada para perceber que isso pode acontecer com processos como os que envolvem Montenegro, Rio, Albuquerque e Calado. Não faltarão as aves canoras a ver favorecimentos ou vinganças. Se isto não é um pântano, não sei bem o que possa ser. Se isto não é um golpe no Estado de Direito, não sei o que será. Se isto não beneficia apenas quem quer destruir o sistema de justiça e a própria democracia, então, é melhor tirar a carta de anjinho e voar para o céu mais próximo. 

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