page view
Paulo João Santos

Paulo João Santos

Jornalista

A tragédia venezuelana

28 de junho de 2026 às 00:31

O que mais impressiona na tragédia venezuelana são os gritos de angústia e desespero, cada vez mais abafados, dos que ficaram debaixo dos escombros e não conseguem sair. Lamentam-se as mortes, naturalmente, mas já não há nada a fazer. Que Deus tenha essas almas em bom descanso. Acode-se aos feridos, em condições extremas, mas hão de sobreviver e ficar para contar a história. O drama maior é mesmo saber que há pessoas a lutar pela vida, sem água, sem alimentos, sem forças, com a morte ali ao lado, e a ajuda tarda ou não tem meios para as resgatar.

Quando a Natureza desperta da forma como o fez, cruel e implacável, recordam-nos como devemos estar preparados e reagir. Ouço com atenção, mas consciente da distância entre a teoria e a prática. Há que ser realista: quando a terra treme como aconteceu na Venezuela, não há nada a fazer. É impossível reagir como nos dizem. O instinto de sobrevivência é mais forte, o raciocínio lógico fica bloqueado, a reação é fugir por onde for possível. Daí que a atenção deve concentrar-se no momento a seguir, na mobilização rápida de equipas de busca e salvamento. E é isto que não se compreende: o tempo que a ajuda internacional leva a chegar ao terreno, porque nenhum país tem capacidade de resposta a uma tragédia desta dimensão. São dias, quando deviam ser horas, e as consequências são as mesmas de sempre: em lugar de se resgatarem vidas, resgatam-se cadáveres.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

O erro socialista

Ser muleta do PSD, como aconteceu com a PSU, terá elevados custos eleitorais.

O regresso do sonho

Saboreemos a vitória e os golos que só CR7 sabe fazer, na certeza de que temos equipa para continuar a sonhar.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8