Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoO ataque militar americano e de Israel ao Irão é mais um atentado contra o direito internacional . O cruel regime iraniano merece ser deposto e os seus responsáveis julgados pelos crimes que cometeram contra a sua população, mas essa decisão não devia ser tomada por um 'xerife' eleito na Casa Branca e pelo seu acólito em Telavive . Por outro lado, este ataque em pleno Ramadão, um mês sagrado para os muçulmanos, mostra um profundo desrespeito de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu perante valores que são importantes para centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Para Israel destruir o seu inimigo mais poderoso, sempre foi um objetivo. O Irão é dos mais ativos países contra o sionismo e patrocinou grupos armados no Líbano, na Síria, no Iémen e na Palestina , com o objetivo de destruir o Estado judaico. Netanyahu encontrou uma alma gémea em Trump. No passado muitas administrações americanas, quer do lado republicano, quer dos democratas, fizeram a vontade a Israel e atacaram países árabes e derrubaram regimes, mas Trump ainda foi mais longe e ataca de novo os persas. Até parece que Trump está a usar este ataque para fazer esquecer o escândalo Epstein, que afecta tanto a sua reputação perante o seu eleitorado e que pode ter consequências políticas nas decisivas eleições intercalares de novembro. Trump usa a força no mundo para abafar escândalos morais e crimes ainda impunes. E perante isto a Europa de anões políticos pouco conta. Se não houver respeito pelas regras do direito internacional, entramos numa era de selvajaria onde só impera a Lei da Força.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
O cruel regime iraniano merece cair, mas a decisão não devia depender de um 'xerife' americano.
Justiça não foi desenhada para combater a impunidade de gente com poder.
Ninguém aposta num longo voto de silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa.
Está à vista o erro de associar a insegurança aos imigrantes.
O sistema português de investigação é dos mais independentes que há.
Luís Neves entre a exigência de mostrar resultados e provar legitimidade.