Por uma ironia que se pode transformar num imenso imbróglio judicial, Carles Puigdemont foi preso na Sardenha, recanto mediterrânico onde ainda se fala catalão, legado que se mantém desde que os primeiros catalães chegaram à ilha italiana, no século XIV. A detenção do homem que declarou unilateralmente a independência da Catalunha está envolta numa nebulosidade legal que passa por Madrid, Bruxelas e, agora, Roma. Puigdemont foi preso sem que seja óbvia a legitimidade da ordem de extradição pedida por Espanha e sem ser inequívoca a perda de imunidade parlamentar do ex-presidente catalão. A manutenção de Puigdemont em liberdade, sem poder sair da Sardenha, é mais um sinal do desnorte das instituições judiciais europeias. Já tinha sido assim quando o catalão foi detido e libertado na Alemanha sem outra consequência além do embaraço judicial. Não é líquido que, desta vez, não aconteça o mesmo. Mas agora o falhanço da extradição de Puigdemont vai chamuscar Sánchez e a sua política de apaziguamento do conflito catalão. E Puigdemont, ao insistir na fuga e recusar ser julgado, só prejudica a causa que tanto diz defender.
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