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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

O chumbo do pacote laboral

19 de abril de 2026 às 00:31

Uma esmagadora maioria de 77 por cento de portugueses acredita que o pacote laboral favorece mais as empresas do que os trabalhadores, aponta uma sondagem da Intercampos para CM/CMTV. Os portugueses rejeitam, de forma rotunda, as alterações pretendidas pelo Governo. Se existisse algum bom senso no Executivo, existiria, por igual, a capacidade de entender a mensagem. O Governo, porém, não pareceu sequer entender as razões que poderiam justificar algumas alterações. Num tempo em que a tecnologia e a erosão dos mecanismos de regulação causam profundo dano na concorrência global, em que a IA ameaça pulverizar milhares de postos de trabalho, o Governo parece a leste disso.

Prefere esmagar a posição contratual do trabalhador. Prefere fazer regressar a relação laboral às invernias sociais e humanas da revolução industrial, quando os patrões descobriram que é melhor, para eles, a negociação individual do que coletiva. Prefere muitas outras coisas que fazem deste pacote laboral um ataque brutal ao trabalhador por conta de outrem, sem real benefício para as empresas que funcionam dentro das regras, felizmente a maioria. Se houvesse bom senso no Governo, também já teriam percebido que esta proposta é tão violenta para o trabalhador por conta de outrem que toca, seguramente, em 80 ou 90 por cento dos eleitores do Chega. E que isso chega para que Ventura perceba que não é um bom negócio para si viabilizar tamanha aventesma.  

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