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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

O mistério da pen 18

01 de fevereiro de 2025 às 00:31

A história da lista de espiões, polícias, inspetores do Fisco e da Segurança Social encontrada em São Bento é mais um caso em que a realidade ultrapassa a ficção. Como romance policial é do melhor que há. Mas como metáfora do desastre que é o Estado também não lhe fica atrás. Um funcionário a que ninguém liga, já com sinais de alguma instabilidade psicológica, entra nos sistemas informáticos e saca toda a informação. Ninguém deu por nada. Depois de alguns malabarismos melodramáticos, como a célebre chantagem a vários altos dirigentes e a ameaça da bala a Marcelo, evoluindo toda a história para uma comédia negra, a lista resiste. Resiste e chega a São Bento, ao gabinete do primeiro-ministro onde fica a repousar num cofre. Ninguém sabe como chegou, quem a recebeu e a colocou no dito cofre, cuja existência, aliás, é mais ou menos clandestina. Apimentando a história, partimos do princípio de que esta é a lista do tal funcionário, mas pode existir uma outra. Como dizem os italianos, se a história não é verdadeira, é pelo menos bem apurada. Não fosse este mistério da pen 18 mostrar que os serviços onde o poder de Estado deve ser exercido com profissionalismo e rigor, roçaria o anedótico. Mostra também a vulnerabilidade das instituições ao mais alto nível. Então, guarda-se uma pen daquelas num cofre em São Bento e toda a gente acha normal? Ou assobia para o lado?

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