Governo traça "linha vermelha" à Venezuela
Augusto Santos Silva manteve conversa "muito dura" com homólogo venezuelano.
Portugal exigiu esta segunda-feira às autoridades venezuelanas o "acesso imediato" aos 10 cidadãos portugueses ou lusodescendentes detidos na Venezuela e advertiu que este caso é "uma linha vermelha" que poderá "ter consequências nas relações bilaterais" se não existirem "progressos na superação" do problema.
A exigência foi feita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, num encontro, em Nova Iorque, com o seu homólogo venezuelano, Jorge Arreaza, à margem dos trabalhos da Assembleia Geral das Nações Unidas.
A conversa foi "muito franca", mas também "muito dura", acrescentou Santos Silva, para quem a reunião "não se tratou de um encontro diplomático habitual". Ainda de acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros, foi acertado que "haveria de imediato acesso" a representação diplomática em Caracas aos cidadãos portugueses que se encontram detidos, "para lhes ser garantida a proteção consular".
Na reunião que decorreu de uma forma tensa durante cerca de 30 minutos foi também acordado um encontro - no âmbito da visita à Venezuela do secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro -, com as autoridades venezuelanas que têm a tutela no domínio comercial e da segurança alimentar e empresários e gestores dos interesses portugueses.
O objetivo é que, 'in loco', se possa saber quais as condições efetivas para cumprir a lei do governo de Nicolás Maduro e que, no entender de Portugal, não tem condições para ser cumprida. Os detidos são acusados de impedirem o abastecimento de produtos básicos e de violarem leis de regulação de preços, que segundo Santos Silva são inferiores aos custos que os comerciantes têm para os colocar à venda.
SAIBA MAIS
175
mil portugueses estavam inscritos nos registos consulares da Venezuela em 2016. Mas há vários organismos que apontam que a comunidade portuguesa (emigrantes e lusodescendentes) naquele país poderá chegar a meio milhão.
País em recessão
Sob o regime de Nicolás Maduro, a Venezuela atravessa uma profunda recessão que se tem acentuado nos últimos cinco anos. De entre a comunidade portuguesa existente naquele país, quase 80% tem origem na região autónoma da Madeira.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt