Governo traça "linha vermelha" à Venezuela

Augusto Santos Silva manteve conversa "muito dura" com homólogo venezuelano.

25 de setembro de 2018 às 09:07
Augusto Santos Silva e Marcelo Rebelo de Sousa Foto: Direitos Reservados
Augusto Santos Silva, ministro dos negócios estrangeiros Foto: Reuters
Augusto Santos Silva Foto: Getty Images
Augusto Santos Silva Foto: Getty Images
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Portugal exigiu esta segunda-feira às autoridades venezuelanas o "acesso imediato" aos 10 cidadãos portugueses ou lusodescendentes detidos na Venezuela e advertiu que este caso é "uma linha vermelha" que poderá "ter consequências nas relações bilaterais" se não existirem "progressos na superação" do problema.

A exigência foi feita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, num encontro, em Nova Iorque, com o seu homólogo venezuelano, Jorge Arreaza, à margem dos trabalhos da Assembleia Geral das Nações Unidas.

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A conversa foi "muito franca", mas também "muito dura", acrescentou Santos Silva, para quem a reunião "não se tratou de um encontro diplomático habitual". Ainda de acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros, foi acertado que "haveria de imediato acesso" a representação diplomática em Caracas aos cidadãos portugueses que se encontram detidos, "para lhes ser garantida a proteção consular".

Na reunião que decorreu de uma forma tensa durante cerca de 30 minutos foi também acordado um encontro - no âmbito da visita à Venezuela do secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro -, com as autoridades venezuelanas que têm a tutela no domínio comercial e da segurança alimentar e empresários e gestores dos interesses portugueses.

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O objetivo é que, 'in loco', se possa saber quais as condições efetivas para cumprir a lei do governo de Nicolás Maduro e que, no entender de Portugal, não tem condições para ser cumprida. Os detidos são acusados de impedirem o abastecimento de produtos básicos e de violarem leis de regulação de preços, que segundo Santos Silva são inferiores aos custos que os comerciantes têm para os colocar à venda.

SAIBA MAIS

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mil portugueses estavam inscritos nos registos consulares da Venezuela em 2016. Mas há vários organismos que apontam que a comunidade portuguesa (emigrantes e lusodescendentes) naquele país poderá chegar a meio milhão.

País em recessão

Sob o regime de Nicolás Maduro, a Venezuela atravessa uma profunda recessão que se tem acentuado nos últimos cinco anos. De entre a comunidade portuguesa existente naquele país, quase 80% tem origem na região autónoma da Madeira.

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