António Capucho considera "bizarra" atribuição de pelouros ao Chega em Cascais
"Acho que é um absurdo", disse o antigo presidente da Câmara de Cascais.
O antigo presidente da Câmara de Cascais António Capucho criticou, esta terça-feira, a decisão do atual presidente do município, Nuno Piteira Lopes (PSD), de atribuir pelouros aos vereadores do Chega, classificando-a de "bizarra" e "inqualificável".
"Acho que é um absurdo e acho que o mínimo que o PSD deveria fazer era convocar uma Assembleia concelhia, dos seus militantes, e dar explicações sobre esta bizarra situação", afirmou o ex-autarca social-democrata, em declarações à agência Lusa.
António Capucho, que presidiu a Câmara Municipal de Cascais entre 2001 e 2011, reagia desta forma à decisão do atual presidente do município, Nuno Piteira Lopes, de atribuir pelouros aos dois vereadores do Chega.
Esta decisão levou a que os dois eleitos do PS, com quem o PSD tinha um acordo de governação, abdicassem dos pelouros, devolvendo-os à liderança do executivo (PSD/CDS-PP).
"Por princípio, penso que o poder municipal não deve, não pode, ser alargado ao Chega, por razões de natureza ideológica e mesmo programática. Ainda por cima, havia uma maioria, resultante do acordo celebrado entre a AD (Aliança Democrática) e o Partido Socialista", apontou António Capucho.
Nesse sentido, o antigo autarca lamentou que a liderança do executivo municipal de Cascais prefira ficar dependente do Chega e abdique de dois vereadores socialistas "competentes" e com "provas dadas na política e nas áreas que lhe foram entregues".
"É uma coisa verdadeiramente inqualificável, inacreditável", classificou.
Este tema esteve esta manhã em discussão na reunião pública da Câmara Municipal de Cascais, com tomadas de posição quer do PS, quer também do CDS-PP, que integra a coligação que lidera o município do distrito de Lisboa.
O vereador do CDS-PP na Câmara de Cascais, Pedro Morais Soares, afirmou que o partido "não fez nem nunca fará nenhum acordo com o Chega" e informou que o partido irá reunir, esta terça-feira, os seus órgãos para analisar a situação.
Pelo PS, o vereador socialista João Ruivo justificou a decisão de os socialistas abdicarem dos pelouros que tinham no executivo, argumentando que o acordo estabelecido com o PSD excluía a presença do Chega.
Numa curta resposta, o presidente da Câmara de Cascais lembrou que, durante a campanha, indicou que iria convidar todos os eleitos para assumirem funções executivas, caso fosse eleito.
"Aquilo que eu disse antes das eleições, durante as eleições e depois das eleições, é de que iria convidar todos os senhores vereadores que foram eleitos para esta Câmara Municipal para trabalhar para bem de Cascais. Foi isso que eu fiz e é isso que eu continuarei a fazer, porque no final do dia o nosso partido é sempre Cascais", justificou o autarca.
Nuno Piteira Lopes argumentou ainda que o acordo que estava assinado com o PS não era exclusivo e admitia a entrada de outras forças políticas.
A agência Lusa contactou o CDS-PP e a Câmara Municipal de Cascais para obter mais esclarecimentos, mas não obteve resposta até ao momento.
A coligação PSD/CDS-PP perdeu, após seis mandatos seguidos, a maioria absoluta em Cascais nas eleições autárquicas de outubro, com a candidatura Viva Cascais, liderada por Nuno Piteira Lopes, a conseguir para a Câmara Municipal 30.258 votos (33,84%), com cinco eleitos.
O PS obteve 14.460 votos (16,17%), elegendo João Ruivo e Alexandra Carvalho, e em terceiro lugar ficou a candidatura independente liderada por João Maria Jonet, que conseguiu 13.203 votos (14,77%) e elegeu ainda António Castro Henriques.
O Chega obteve 12.954 votos (14,49%) e também conseguiu dois eleitos, Pedro Teodoro dos Santos e João Rodrigues dos Santos.
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