Aguiar-Branco confirma novo prazo até 2ª feira para candidatos aos órgãos externos do parlamento
Nenhum grupo parlamentar, ou deputado único de partidos, se opôs ao adiamento do prazo requerido pelo PSD.
O presidente da Assembleia da República confirmou esta sexta-feira o adiamento até às 21h00 da próxima segunda-feira do prazo para a entrega de listas de candidatos aos órgãos externos do parlamento, numa missiva que dirigiu aos grupos parlamentares.
Esta confirmação por parte de José Pedro Aguiar-Branco significa que nenhum grupo parlamentar, ou deputado único de partidos, se opôs ao adiamento do prazo, que foi requerido pelo PSD.
Tal como adiantou a agência Lusa na quinta-feira, a data das eleições para os órgãos externos -- entre as quais a do provedor de Justiça, três juízes do Tribunal Constitucional e cinco membros do Conselho de Estado -- será debatida e marcada na próxima reunião da conferência de líderes, dia 04 de março.
Na quarta-feira à noite, em entrevista à SIC Notícias, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, anunciou que iria pedir o adiamento do prazo para a entrega de listas para os órgãos externos ao parlamento, mas manifestou-se convicto de que os lugares estarão eleitos em "duas semanas".
Questionado se o PSD quer fazer um acordo alargado com PS e Chega, Hugo Soares respondeu: "Esse é o meu propósito".
"Não foi possível ainda chegar a um consenso entre os três partidos com maior representatividade parlamentar", declarou, sem indicar o motivo do impasse negocial e admitindo que esta demora não é normal nem desejável.
Antes deste novo adiamento do prazo para a entrega de listas, as eleições para os órgãos externos do parlamento estavam marcadas para 06 de março, mas essa data terá agira de ser obrigatoriamente alterada.
De acordo com o Regimento da Assembleia da República, a apresentação de candidaturas deve ser efetuada perante o presidente da Assembleia da República até sete dias antes da data da eleição. Ora, o prazo para a entrega de candidaturas passou agora para 02 de março.
Por sua vez, o artigo 14.º da Lei do Tribunal Constitucional determina que as candidaturas devem ser entregues até cinco dias antes da reunião marcada para a eleição.
Por outro lado, algumas das eleições em causa pressupõem a realização prévia de audições em comissão -- caso dos candidatos a juízes do Tribunal Constitucional, Provedor de Justiça ou dos membros dos conselhos superiores de Magistratura ou do Ministério Público -, o que implica uma preparação e organização dos trabalhos parlamentares, sobretudo no que respeita à Comissão de Assuntos Constitucionais.
Desde o início da presente legislatura, o parlamento já marcou por várias vezes estas eleições, mas foram sucessivamente adiadas por ausência de um acordo global entre as três maiores forças políticas: PSD, Chega e PS.
Nestas negociações, em virtude da atual configuração parlamentar, o PSD é o partido central, já que nenhuma maioria de dois terços pode ser formada no parlamento sem a participação dos sociais-democratas. E as eleições do Provedor de Justiça e dos três juízes do Tribunal Constitucional requerem precisamente maiorias de dois terços.
Na quarta-feira à noite, o presidente da bancada do PSD referiu que também está em causa a escolha de membros do Conselho Superior do Ministério Público, do Conselho Económico e Social, Conselho Superior da Magistratura, Conselho de Opinião da RTP, Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal, Conselho de Segurança Interna e Conselho de Defesa Nacional.
Ao contrário do Tribunal Constitucional e Provedor de Justiça, a eleição dos cinco membros do Conselho de Estado -- o órgão de aconselhamento do Presidente da República -- faz-se por método de hondt.
Na atual legislatura, o PSD tem 89 deputados, o Chega 60, o PS 58, a IL nove, o Livre seis, o PCP três, o CDS-PP dois, e BE, PAN e JPP um cada.
À partida, se os respetivos deputados participarem todos na eleição para o Conselho de Estado, o PSD tem assegurados dois dos cinco mandatos, e o Chega e o PS um cada. A atribuição do quinto mandato é mais incerta e depende do número de listas concorrentes e de eventuais alianças ou apoios de outros partidos, podendo variar por uma questão de um ou dois votos.
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