CDS apresenta formalmente moção de censura ao Governo

Partido diz que o Executivo de Costa "falhou, não corrigiu o seu comportamento a tempo e voltou a falhar".

19 de outubro de 2017 às 13:53
Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS-PP Foto: Mário Cruz/Lusa
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António Costa Foto: António Cotrim/Lusa
António Costa reage aos incêndios florestais Foto: António Cotrim/Lusa

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O CDS apresentou formalmente a moção de censura ao Governo de António Costa. Nuno Magalhães explicou que o documento já deu entrada no Gabinete de ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República.

Referiu o relatório técnico independente de Pedrógão Grande, reforçando que "era possível ter evitado a propagação do incêndio" de forma a evitar maior dimensão da tragédia.

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O partido acusa os serviços de Estado de "incompetência e descordenação" e Costa de não se mostrar disponível para "assumir as responsabilidades políticas pela parte do relatório que demonstra as falhas do Estado", na proteção das pessoas e do território.

Recordando que o ano de 2017 "fica para a história como o pior de sempre em termos de vidas humanas" e em termos de área ardida, o CDS diz que o "Governo não fez tudo o que estava ao seu alcance para evitar o sucedido", a nível de coordenação política, comando operacional, sensibilização das populações e a nível da preparação das respostas e das entidades públicas para os novos incêndios.

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Referindo-se aos incêndios de domingo e segunda-feira, Nuno Magalhães diz que a atuação "mostrou o desnorte e a incapacidade" do Governo para enfrentar situações de crise e considera que o Executivo de Costa "falhou, não corrigiu o seu comportamento a tempo e voltou a falhar", pelo que o partido apresentou esta moção de censura.

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"Esta censura dá voz à indignação de muitos portugueses que se sentem abandonados e perderam a confiança no Governo, o primeiro responsável pela condução do Estado", afirmou o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães.

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De acordo com o regimento da Assembleia da República, a moção de censura ao Governo é debatida no terceiro dia parlamentar após a entrega formal na mesa da assembleia, o que atira a discussão da iniciativa do CDS-PP para a próxima terça-feira.

No texto entregue no parlamento, o CDS-PP começa por lembrar as vítimas do fogo iniciado em Pedrógão Grande, em 17 de junho, sobre a qual o relatório da Comissão Técnica Independente conclui que "era possível ter evitado a propagação do incêndio" e limitado a tragédia.

"Tal não aconteceu por incompetência e descoordenação do Estado", acusam os democratas-cristãos, que criticam o primeiro-ministro, António Costa, por durante quatro meses "pouco ou nada" ter feito para repor a confiança dos cidadãos e, após a divulgação do relatório, ter perdido "nova oportunidade para revelar sentido de Estado".

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No passado domingo, o país foi atingido por uma nova vaga de incêndios que provocaram, até agora, 42 mortos e mais de 500.000 hectares de área ardida.

"Analisado o período que mediou as duas tragédias, verificamos que o Governo não fez tudo o que estava ao seu alcance para evitar o sucedido", critica o CDS-PP, lamentando igualmente "as declarações insensíveis e desajustadas dos membros do Governo" após os incêndios deste fim de semana.

Esta é a primeira vez que o XXI Governo Constitucional será confrontado com uma moção de censura desde que entrou em funções, em novembro de 2015.

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No entanto, em 25 de julho, na sequência da tragédia de Pedrógão Grande, o CDS-PP já tinha ameaçado avançar com uma moção de censura. O incêndio que deflagrou em 17 de junho e alastrou a outros municípios provocou pelo menos 64 mortes e mais de 200 feridos.

A última vez que a Assembleia da República votou - e rejeitou - uma moção de censura foi em 30 de maio de 2014, apresentada pelo PCP ao executivo PSD/CDS-PP, então liderado por Passos Coelho.

Intitulada "Travar a política de exploração e empobrecimento, construir uma política patriótica e de esquerda", a moção de censura apresentada pelos comunistas em maio de 2014 foi a sexta que o Governo de maioria PSD/CDS-PP enfrentou desde a tomada de posse, em 2011, e a terceira por iniciativa do PCP.

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A moção de censura ao governo minoritário de António Costa será a 25.ª da história da democracia portuguesa, mas até hoje só uma derrubou um Governo, em abril de 1987.

Na altura, Cavaco Silva chefiava um Governo de minoria e a moção foi apresentada pelo PRD, mais tarde liderado pelo ex-Presidente da República Ramalho Eanes.

Nas eleições antecipadas, convocadas pelo então Presidente Mário Soares, Cavaco Silva conseguiu para o PSD a primeira de duas maiorias absolutas, governando até 1995.

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