Primeiro-ministro faz troca cirúrgica e rejeita remodelação de fundo.
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A reação ao ultimato do Presidente da República surgiu em menos de 24 horas: a ministra Constança Urbano de Sousa apresentou a demissão pela manhã e, ao final do dia, António Costa anunciou os novos rostos do Governo. O primeiro-ministro serve-se de dois dos melhores amigos para reforçar o Executivo: Eduardo Cabrita sai do gabinete de Costa e assegura a Administração Interna; Pedro Siza Vieira torna-se adjunto do primeiro-ministro.
Costa ‘puxa’ amigos para reorganizar Executivo
O CM sabe que várias pessoas dentro do Executivo defendem que também o secretário de Estado Jorge Gomes deve sair com esta mexida nas pastas.
Apesar de Marcelo Rebelo de Sousa ter sido claro a exigir "um novo ciclo", o CM sabe que o primeiro-ministro preferiu fazer uma mudança cirúrgica e não avançar com mais mexidas. "Não há necessidade de mudanças profundas", relata fonte socialista. Isto apesar de nos últimos meses terem sido apontadas fragilidades a Azeredo Lopes, que na Defesa viu rebentar o caso de Tancos, e ao ministro da Economia, Caldeira Cabral, que o economista Daniel Bessa já descreveu como o ministro que ocupa "o lugar do morto".
A tomada de posse dos novos ministros tem lugar no sábado, em Belém. Os nomes foram entregues pelo primeiro-ministro a Marcelo Rebelo de Sousa pouco depois do debate quinzenal.
A discussão no Parlamento ficou marcada por um assumir de culpas arrancado quase a ferros. Só depois de o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, ter desafiado Costa é que o primeiro-ministro o fez: "Se querem ouvir-me a pedir desculpas, eu peço desculpas." E garantiu que o facto de não o ter feito antes "não diminui o peso na consciência".
No CDS, Assunção Cristas justificou a moção de censura: "O senhor primeiro-ministro mostrou que não esteve à altura. E deixou que a tragédia se repetisse. Não podemos ter confiança em si."
Catarina Martins, do BE, desafiou Costa a concentrar numa só estrutura meios de prevenção e combate a fogos, deixando uma crítica a Cristas, que apelidou de "ministra do eucalipto". Já Jerónimo de Sousa, líder do PCP, pediu ao primeiro-ministro que invista na floresta valor idêntico ao usado na recapitalização do Banif ou, em contrapartida, deixe deslizar o défice.
Ministra tenta salvar "dignidade pessoal" Afinal, Constança Urbano de Sousa pensou em demitir-se desde o primeiro momento após a tragédia de Pedrógão Grande, ao contrário do que admitiu quando confrontada. É isso que fica explícito na carta de demissão da ministra da Administração Interna, ontem divulgada pelo gabinete do primeiro--ministro.
"Logo a seguir à tragédia de Pedrógão, pedi, insistentemente, que me libertasse das minhas funções e dei-lhe tempo para encontrar quem me substituísse, razão pela qual não pedi, formal e publicamente, a minha demissão", escreveu.
Após a última vaga de incêndios, a ministra voltou a rejeitar a hipótese de vir a cessar funções, mas o pensamento era outro: "Durante a tragédia deste fim de semana, voltei a solicitar que, logo após o seu período crítico, aceitasse a minha cessação de funções, pois apesar de esta tragédia ser fruto de múltiplos fatores, considerei que não tinha condições políticas e pessoais para continuar no exercício deste cargo, muito embora contasse com a sua confiança", lê-se na missiva.
Na carta, Constança Urbano de Sousa adverte o primeiro-ministro que este "tem de aceitar" o pedido de demissão. "Até para preservar a minha dignidade pessoal", conclui.
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