Chega diz que não há acordo sobre nacionalidade e acusa PSD de não ser menos socialista que PS
Ventura diz que no prazo limite da negociação, “o Governo não conseguiu ser menos socialista do que os socialistas” e, portanto, “não há acordo”.
O presidente do Chega revelou esta segunda-feira que não foi possível chegar a acordo sobre a lei da nacionalidade e vai avançar com "propostas próprias e autónomas", acusando o PSD de não conseguir "ser menos socialista do que os socialistas".
"Não foi possível, até ao momento em que estamos, chegar a um acordo com outros partidos no parlamento para termos um diploma completo, viável e capaz de ser aprovado", anunciou André Ventura em conferência de imprensa, em Lisboa, depois de o PSD e CDS-PP terem entregado propostas de alteração aos decretos sobre a lei da nacionalidade, que esperam ver aprovadas "com máximo de consenso possível".
O presidente do Chega assumiu “particular tristeza” depois de o partido se ter envolvido “plenamente numa negociação para garantir que era possível contornar o veto”, e, “ao mesmo tempo, conforme o resultado das eleições legislativas determinou”, que o país fosse “mais seguro, com menos imigração e sobretudo com critérios de justiça clara, de que quem comete crimes em Portugal, tendo obtido a nacionalidade portuguesa, perde essa nacionalidade portuguesa”.
“O Governo e o PSD, como sempre, tentam estar nas boas graças do Partido Socialista e mostrar ao eleitorado que votou no Chega que estão a fazer alguma coisa. Na vida não é possível querer agradar a todos e não é possível querer fazer reformas e ao mesmo tempo agradar àqueles que toda a vida lutaram contra essas reformas”, condenou.
De acordo com o presidente do Chega, no prazo limite da negociação, “o Governo não conseguiu ser menos socialista do que os socialistas” e, portanto, “não há acordo”.
Questionado sobre o facto de António Rodrigues, do PSD, ter afirmado que o texto do PSD e CDS-PP que já incorporam contributos dos três partidos com que se se reuniram, o PS, Chega e IL, Ventura respondeu: “é falso”.
“Não é verdade que tenha havido nenhuma incorporação. O Chega vai ter as suas propostas próprias e autónomas, conforme o Governo sabe, pois esteve em negociações connosco durante horas e semanas sobre esta matéria. Portanto, sabe bem que vamos ter as nossas propostas autónomas e em diploma próprio”, disse.
Esta declaração de Ventura foi cerca de uma hora depois de, PSD e CDS-PP terem entregado propostas de alteração aos decretos sobre a lei da nacionalidade, tendo o deputado António Rodrigues considerado que ultrapassam as inconstitucionalidades que motivaram o chumbo.
“Não há aqui privilégio em relação a nenhum partido em especial (…) nós integrámos os contributos que eles quiseram dar e procurámos, na base, criar o máximo de consenso possível perante a lei da nacionalidade”, assegurou.
A semana passada, o líder do Chega tinha anunciado que estava "muito perto" de um entendimento com o PSD sobre a Lei da Nacionalidade.
A Assembleia da República vai reapreciar na quarta-feira os decretos da Assembleia da República que pretendiam alterar a Lei da Nacionalidade e o Código Penal (criando a pena acessória de perda da nacionalidade), que foram devolvidos ao parlamento depois do chumbo do Tribunal Constitucional (TC).
O TC declarou a 15 de dezembro do ano passado inconstitucionais várias normas dos dois decretos, depois de 50 deputados do PS terem pedido a fiscalização preventiva dos dois diplomas.
O decreto do parlamento que revê a Lei da Nacionalidade e outro que altera o Código Penal para incluir a perda de nacionalidade como pena acessória, ambos com origem numa proposta de lei do Governo PSD/CDS-PP, foram aprovados em 28 de outubro de 2024, com 157 votos a favor, de PSD, Chega, IL, CDS-PP e JPP, e 64 votos contra, de PS, Livre, PCP, BE e PAN.
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