Costa diz que sempre soube que era feliz com Marcelo apesar de "algum pessimismo menos produtivo"

Presidente do Conselho Europeu fez um balanço dos oito anos de coabitação política com Marcelo Rebelo de Sousa.

27 de fevereiro de 2026 às 12:56
Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa Foto: Tiago Petinga
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O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse esta sexta-feira que sempre soube que a sua coabitação com Marcelo Rebelo de Sousa era "muito feliz", apesar de haver quem cultivasse, "por vezes, algum pessimismo menos produtivo".

"Eu nunca tive dúvidas de que éramos muito felizes. A dúvida era mais de quem, contrariando o otimismo saudável, cultivava, por vezes, algum pessimismo menos produtivo", afirmou António Costa, numa alusão a Marcelo Rebelo de Sousa, conhecido por ter qualificado o anterior primeiro-ministro português como um "otimista irritante".

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O presidente do Conselho Europeu falava aos jornalistas durante um encontro com o Presidente da República, em Bruxelas, no âmbito de uma visita de despedida às instituições europeias, e fazia um balanço dos oito anos de coabitação política com Marcelo Rebelo de Sousa, entre 2016 e 2024.

“Acho que ficamos bem em todos concordamos que fomos felizes, mesmo aqueles que não sabíamos que éramos, e que somos felizes”, disse, entre risos, antes de desejar as “maiores felicidades” a Marcelo.

Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa, após ouvir António Costa recordar que o conheceu há cerca de 40 anos "nos bancos da Faculdade de Direito", também destacou também a "amizade de sempre" que manteve com o atual presidente do Conselho Europeu.

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"A amizade existiu sempre, com lugares, sem lugares, com lugares diferentes, em condições diferentes", disse, prevendo que irá manter o contacto com António Costa após 09 de março, dia em que cessará funções.

"Dentro da vida que vai ser muito ocupada do presidente António Costa, ou a minha vida muito liberta, é uma questão de calendário e o presidente António arranjar, assim de quando em vez, um momento para nos encontrarmos num bom jantar ou num bom almoço", referiu.

Num tom mais institucional, António Costa fez um balanço da evolução de Portugal na UE nos 10 anos de mandato de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, entre 2016 e 2026, frisando que o chefe de Estado tem "motivos para olhar com satisfação" para o percurso do país.

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"Quando o senhor Presidente iniciou funções, Portugal estava ainda em procedimento por défice excessivo. Termina o seu mandato já quase nove anos depois de termos abandonado esse procedimento, com uma situação orçamental estável, tendencialmente positiva, com uma redução progressiva e consistente da nossa dívida", referiu Costa, acrescentando ainda que Portugal tem também crescido acima da média europeia.

Esses dados, prosseguiu Costa, "mostram bem a transformação estrutural que o país teve, muito fruto do investimento nas qualificações".

"Portanto, acho que tem bons motivos para olhar para trás, já que não gosta de olhar com bons olhos para o futuro, olhar para trás com satisfação por aquilo que foi o percurso que o país fez durante estes dois seus mandatos e que queria aqui agradecer", disse, dirigindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa.

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Após estas declarações aos jornalistas, feitas ao lado da lanterna do Conselho Europeu, António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa vão almoçar juntos, antes de visitarem a Sala de Portugal, onde o primeiro-ministro português se costuma reunir durante as cimeiras do Conselho Europeu.

Nessa sala, decorada com fotografias de momentos marcantes da história de Portugal na UE, como a assinatura do tratado de adesão em 1986 ou as presidências portuguesas do Conselho da UE, será revelada a Marcelo Rebelo de Sousa uma nova foto: a sua, quando discursou na sessão extraordinária do Parlamento Europeu, no mês passado em Estrasburgo, para assinalar os 40 anos da adesão de Portugal à então CEE.

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