"É altura de exigirmos à AD que se decida": Carneiro diz que "há linhas que não se negoceiam" e fala de acordos com o Chega
Secretário-geral socialista avisou que dirá um "rotundo não" a tentativas de desequilibrar o Tribunal Constitucional.
O secretário-geral socialista exigiu hoje à AD "que se decida" e esclareça se quer "convergências moderadas" com o PS ou acordos com o Chega, avisando que dirá um "rotundo não" a tentativas de desequilibrar o Tribunal Constitucional.
"É altura de exigirmos à AD que se decida", defendeu José Luís Carneiro durante o seu primeiro discurso no 25.º Congresso Nacional do PS, que começou hoje em Viseu, avisando que "se o Governo escolher ventos, terá tempestades".
Para o secretário-geral do PS, o Governo de Luís Montenegro tem que decidir se quer fazer acordos com o Chega ou se prefere "abrir-se a convergências moderadas" com o PS.
"Há linhas que não se negoceiam. A Constituição não se relativiza. A Democracia não se instrumentaliza. Se tentarem desfigurar os equilíbrios do nosso sistema democrático, começando por tentar desequilibrar o Tribunal Constitucional, ouvirão da nossa parte um rotundo não", avisou, numa referência ao impasse na escolha de nomes para os órgãos externos ao parlamento.
De acordo com Carneiro, isso não será feito "por cálculo partidário", mas "por dever, por imperativo democrático".
Segundo o líder do PS, os socialistas nunca confundem, e continuam a não confundir, "oposição com bloqueio".
"Sabemos das dificuldades, mas sabemos também que as boas soluções se encontram quando há vontade política, coragem reformista e compromisso com as pessoas", considerou.
Depois de ter perdido as últimas eleições legislativas, ainda com Pedro Nuno Santos como líder, o PS assumiu o papel que "os cidadãos lhe conferiram", ou seja, ser "uma oposição responsável, construtiva e propositiva".
"Seremos fator de coesão e união. Defenderemos ideias de futuro. Para cada problema específico, trabalharemos para encontrar soluções concretas", prometeu.
Carneiro salientou que o país enfrenta atualmente "desafios novos" e que "a insegurança social, económica e política alimenta o populismo e a extrema-direita".
"A nossa resposta é clara: rejeitamos com todas as nossas forças uma política que divida os portugueses", sublinhou, defendendo que "a melhor resposta aos extremistas é a resolução dos problemas reais das pessoas.".
Carneiro realçou que "o Partido Socialista nunca aceitará uma política baseada na divisão e no ressentimento. A nossa política é a política da coesão, da modernidade, da justiça social, da confiança no futuro".
O discurso do secretário-geral eleito encerrou a parte política do primeiro dia do congresso do PS, tendo-se seguido um pequeno concerto de Bárbara Tinoco.
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