Exigidas explicações sobre nomeação de Mafalda Livermore para Serviços Sociais da Câmara de Lisboa

Militante do Chega foi exonerada após se saber que geria um 'império' de imóveis com habitações alegadamente clandestinas para arrendamento a imigrantes.

09 de março de 2026 às 17:34
Exigidas explicações sobre nomeação de Mafalda Livermore para Serviços Sociais da Câmara de Lisboa Foto: Hugo Delgado
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O PS, Livre, BE e PCP em Lisboa criticaram esta segunda-feiraa nomeação de Mafalda Livermore, militante do Chega recentemente exonerada do Conselho de Administração dos Serviços Sociais da autarquia e exigiram explicações de Carlos Moedas sobre a escolha.

Em causa está a recente exoneração de Mafalda Livermore do cargo de vogal do Conselho de Administração dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa (SSCML) - para o qual tinha sido nomeada em dezembro pelo presidente da autarquia, Carlos Moedas - após uma reportagem da RTP que revelou que a militante do Chega é proprietária de vários imóveis com habitações alegadamente clandestinas para arrendamento a imigrantes.

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A vereadora do PS Alexandra Leitão considerou, em resposta escrita à Lusa, que a situação levanta "uma questão clara de responsabilidade política", lembrando que "Carlos Moedas justificou esta nomeação invocando a competência da pessoa escolhida".

"Tendo em conta a convergência sistemática que temos visto entre Carlos Moedas e o Chega em votações relevantes na Câmara Municipal de Lisboa, é legítimo questionar se esta nomeação não resulta também de uma lógica de troca de favores políticos", salientou a socialista, apontando que "é a credibilidade das próprias instituições e a confiança dos cidadãos que ficam em causa", razões pelas quais o PS considera que o presidente "deve prestar todos os esclarecimentos sobre os critérios que estiveram na base desta escolha".

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Da parte do Livre, o vereador Carlos Teixeira considerou, em resposta escrita à Lusa, que "todo este caso revela até onde Carlos Moedas parece estar disposto a ir para garantir aprovações em Câmara" e defendeu que "a gestão da cidade não pode ficar refém de entendimentos políticos opacos que coloquem em causa a confiança dos lisboetas nas instituições".

Para o Livre, a nomeação de Mafalda Livermore "confirma as preocupações com os critérios políticos e a falta de transparência associada a esta escolha", questionando-se "como foi possível permitir" que "alguém que não hesita em explorar imigrantes em habitação clandestina de forma indigna" fosse nomeada para um cargo público na Câmara.

Já o BE, realçou que "tudo indica que esta nomeação serviu como moeda de troca política num conjunto de votações decisivas em que o Chega foi fundamental para viabilizar a agenda de concentração de poderes nas mãos de Carlos Moedas, poderes muito para além do normal numa governação municipal".

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Classificando este caso como "uma mancha no mandato de Carlos Moedas", o BE considera que o presidente "não pode remeter-se ao silêncio nem apresentar esta exoneração como mera 'quebra de confiança institucional'", salientando que "as consequências políticas da nomeação e das condições que a tornaram possível continuam por esclarecer".

Para o PCP, "mais do que negociatas de ocasião", as nomeações para funções relevantes no município deveriam ser baseadas na adequação ao cargo e competência, considerando que "claramente, não foi o caso nesta nomeação demonstrativa dos princípios que guiam as decisões da gestão de Carlos Moedas".

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Questionado pela Lusa, o vereador do Chega, Bruno Mascarenhas, lamentou o que considera ser "uma tentativa de descredibilização pública" de Mafalda Livermore e afirmou que esta militante do seu partido "demonstrou competência, dedicação e sentido de serviço público" nos cerca de três meses em que exerceu funções como vogal dos Serviços Sociais.

Sobre a reportagem da RTP, Bruno Mascarenhas questionou a credibilidade das fontes utilizadas para sustentar "acusações tão graves" e afirmou que Mafalda Livermore "não tem conhecimento direto" de habitações clandestinas para imigrantes nos imóveis de que é proprietária, tendo-o informado de que "está em causa um imóvel composto por seis frações que se encontra atualmente em processo de partilhas no âmbito do seu divórcio".

A Lusa questionou o gabinete do presidente da Câmara, mas ainda aguarda uma resposta.

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