Fernando Rosas diz que combate à ditadura serve como exemplo para vencer neofascismo que "por aí pulula"
Fundador do BE indicou que defender "o espírito de Abril" é "forte orientação" do partido para a campanha.
O cabeça-de-lista do BE por Leiria e fundador do partido, Fernando Rosas, defendeu esta segunda-feira que o combate à ditadura em Portugal deve servir como exemplo para vencer o neofascismo que "por aí pulula".
"Venceu-se a ditadura no passado, mas esse exemplo serve para nós vencermos o neofascismo que por aí está, que por ai pulula, que varre a Europa e que também ameaça o nosso país", alertou Fernando Rosas, em declarações aos jornalistas, à margem de uma ação de campanha do BE no Museu Nacional Resistência e Liberdade, localizado no Forte de Peniche, distrito de Leiria.
A coordenadora nacional do BE, Mariana Mortágua, acompanhada pelo histórico bloquista que esteve preso em Peniche durante cerca de um ano no início de década de 70, depositou esta segunda-feira uma coroa de cravos vermelhos no memorial aos presos políticos que se encontra no espaço do museu, num ato simbólico.
"Onde é que está o teu nome?", perguntou Mortágua a Rosas, junto à peça de aço.
Na pequena visita, Fernando Rosas considerou que, "nestas eleições, defender a liberdade, o espírito de Abril e o exemplo" dos presos políticos "é uma forte orientação para a campanha eleitoral do BE".
"O que a História nos ensina é que o ser humano é maior do que a morte, do que a repressão, do que a extrema-direita, sobretudo, quando é guiado por um espírito de liberdade, dignidade, justiça e esse é o exemplo destes homens. E eu acho que é esse espírito que está presente neste momento, independentemente de eleições, é o espírito que está presente em Portugal e na Europa", sublinhou o historiador e professor catedrático.
O antigo deputado afirmou não estar em causa "um suspiro de nostalgia sobre o passado", mas sim "servirmo-nos deste espírito para enfrentar os desafios do presente".
Fernando Rosas foi partilhando com Mariana Mortágua algumas memórias daquele espaço, onde foi "interrogado, torturado, julgado e condenado" e passou cerca de 14 meses.
Recordou o "regime prisional" de Peniche, que visava "matar a resistência e a consciência", mas também a célebre fuga coletiva do forte de Peniche, em janeiro de 1960, na qual participou o histórico comunista Álvaro Cunhal.
Rosas rejeitou alguma vez ter tido sentimentos de vingança em relação aos que torturaram e prenderam no período da ditadura, mas sim um sentimento de "justiça incompleta".
"Mas a justiça há de ser feita pela História, pelo julgamento da História, sobretudo pelo julgamento dos jovens investigadores, a juventude, os que se interessam por estes assuntos e que mantêm viva esta memória", considerou.
O BE perdeu representação parlamentar em Leiria em 2022, conquistada pela primeira vez em 2009 e depois em 2015 e 2019.
Fernando Rosas, 79 anos, já não integrava uma lista do BE desde 2009, altura em que foi cabeça de lista por Setúbal e eleito deputado à Assembleia da República. No ano seguinte, saiu da bancada parlamentar para se dedicar ao ensino e investigação, e foi substituído por Jorge Costa.
Em 2001, foi candidato à Presidência da República, tendo ficado em quarto lugar com 2,98% dos votos. Em 2015, Jorge Sampaio condecorou-o com a Ordem da Liberdade.
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