"Governo tem de se definir": Carneiro mantém diálogo num PS com sinais de nervosismo
José Luís Carneiro mantém intenção de dialogar com Governo e AD mas já há sinais de nervosismo no partido. Lugar do PS no Tribunal Constitucional pode dividir partido.
Ao passar junto de um grupo de crianças, José Luís Carneiro é surpreendido com um desenho de aguarela onde está pintada uma mensagem: “o mundo pode acabar”. A caligrafia denuncia uma menina de tenra idade a quem o Secretário-geral do PS diz para ter esperança, “estamos cá para um futuro”, acrescenta.
A guerra e os seus efeitos marcou o Congresso do Partido Socialista e levou o recém-eleito Secretário-geral ao tom do discurso. “Os valores da divisão, dos extremismos e populismo são valores que nos levam para o conflito, para a guerra”, enumerou José Luís Carneiro.
Entre os socialistas é praticamente unânime que a escolha do PSD e do Governo é o extremismo e que o único parceiro com que conta é o Chega. O que diverge no PS é o caminho a seguir. “O Governo tem de se definir. Definir aquilo que quer fazer. Nós continuaremos a ser um partido responsável”, sublinhou José Luís Carneiro, sem fechar a porta ao diálogo. No primeiro dia do Congresso, Carneiro voltou a ameaçar com um “não” ao partido do Governo, mas para já é uma ameaça. Insiste nas propostas para responder à crise, que o Executivo já disse que não. Baixa do IVA nos combustíveis e gás ou o regresso do IVA zero são apenas alguns exemplos. Um conjunto de medidas que “não afeta o equilíbrio das contas públicas nem responsabilidades orçamentais”, garante o socialista. O secretário-geral do PS até diz que Montenegro “cometeu mais uma erro” e que o impacto “estimado das medidas [do Executivo] está longe dos 150 milhões por mês”.
Mas José Luís Carneiro não vai mais longe. Não se compromete a mudar de estratégia e foge à questão se há linhas vermelhas, como a semana que se avizinha quando o Parlamento apresentar listas para os órgãos externos, como para o Tribunal Constitucional.
O Congresso do partido também voltou a eleger Carlos César como presidente, com 89,9 por cento dos votos. César também contorna a rotura. Diz que apresentar propostas não coloca o PS “de joelhos” mas que é a “surdez” do Governo que prejudica o país. “O PS deve continuar a demonstrar querer ser parte das soluções e não apenas parte da crítica”, concretizou.
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