Secretário-geral do PS insiste na necessidade de medidas "mais robustas".
O secretário-geral do PS acusou este sábado o Governo de estar a falhar na resposta ao aumento do custo de vida devido à guerra no Médio Oriente, insistindo na necessidade de medidas "mais robustas".
"Eu estou convencido de que o Governo está de novo a falhar, a ser parco, a ser escasso na resposta que está a dar ao custo de vida das pessoas", criticou José Luís Carneiro, à chegada ao segundo dia do 25.º Congresso do PS, que decorre até domingo, em Viseu.
Depois de ter avançado com quatro propostas no seu discurso de abertura na sexta-feira para fazer face aos aumentos de preços no país, Carneiro insistiu na necessidade de medidas "mais robustas".
"O Governo adotou medidas que do nosso ponto de vista foram insuficientes. Nós propusemos mesmo que houvesse uma redução de 10% do IVA para todos os bens afetados, fossem combustíveis, fossem bens alimentares, mas que mexem com toda a nossa economia. O Governo disse também que a nossa proposta era inadequada", lamentou, contrapondo com o exemplo de Espanha.
Carneiro salientou que as propostas do PS estão longe dos 150 milhões por mês anunciados pelo Governo, para fazer face ao aumento dos combustíveis. Em sentido contrário às propostas socialistas, na sexta-feira, após a reunião de Conselho de Ministros, Luís Montenegro afirmou que "não está em cima da mesa nenhuma intervenção ao nível do IVA", nem nos combustíveis, nem no cabaz alimentar.
O líder dos socialistas argumentou que as suas propostas não afetarão o equilíbrio das contas públicas nem as responsabilidades orçamentais.
"O Governo, do meu ponto de vista, e por isso é que ontem aqui voltei a reiterar, deve tomar medidas que sejam medidas mais robustas, mais capazes de responder particularmente ao aumento com os custos relativos aos combustíveis e ao gás e relativos, também ao aumento com os bens alimentares essenciais", sublinhou.
Na sexta-feira, o líder socialista avançou com quatro propostas: IVA zero nos produtos alimentares essenciais, a redução de 23% para 13% no IVA dos combustíveis e do gás, a duplicação do consumo de energia tributada a 6% e a isenção de ISP sobre o gasóleo para a agricultura.
Em linha com o discurso do primeiro dia de Congresso, Carneiro insistiu que o Governo da AD (PSD/CDS) tem que se decidir e esclarecer o seu posicionamento político, escolhendo aproximar-se do PS ou do Chega.
José Luís Carneiro foi ainda questionado sobre o que quis dizer ao certo quando afirmou que dirá um "rotundo não" a tentativas de desequilibrar o Tribunal Constitucional, mas não especificou.
Interrogado sobre a entrevista ao Público do antigo presidente da Assembleia da República Augusto Santos Silva, que referiu que o "PS não tem nenhuma obrigação de ser muleta do Governo, sobretudo quando é ignorado", Carneiro afirmou que não a leu.
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