Ilegalização do Chega "é um disparate" porque "é preciso vencê-los pelas ideias”, diz Marcelo em debate com Ana Gomes

Candidatos às presidenciais debateram sobre um eventual pedido de ilegalização do partido de André Ventura.

09 de janeiro de 2021 às 21:35
Marcelo Rebelo de Sousa
Imagem ana gomes 37548734 (1).jpg (8430217) (Milenium) Foto: fotos Pedro Pina/rtp

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Os candidatos presidenciais Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Gomes divergiram hoje sobre o modo como Presidente da República se relacionou com o Governo e sobre o tratamento a dar ao Chega.

Num frente a frente na RTP, a militante do PS e diplomata criticou o seu adversário, sugerindo que não teve "uma relação leal e franca com o Governo" do PS chefiado por António Costa e que atuou a "oscilar entre às vezes parecer que quer ser o pai do primeiro-ministro, outras vezes a tirar o tapete ou até a assumir os louros da ação governativa", prometendo atuar de forma diferente.

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O chefe de Estado e recandidato ao cargo respondeu citando declarações da própria Ana Gomes de 09 de setembro do ano passado: "Considero que foi muito importante a articulação entre os governos de António Costa e o Presidente da República. Faço um balanço positivo do mandato do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa".

"A senhora embaixadora tem de estabilizar a sua opinião sobre o Presidente da República", considerou, defendendo que exerceu as suas funções como "um fator de estabilização", evitando crises políticas para que a legislatura chegasse ao fim. "A senhora embaixadora mudou de posição", acrescentou.

Outro ponto de discórdia foi a participação do Chega na solução de Governo Regional dos Açores, através de um acordo de apoio parlamentar, com Ana Gomes a acusar Marcelo Rebelo de Sousa de permitir a "normalização" de uma força de extrema-direita num momento em que, "não só cá em Portugal, mas noutros países, a democracia está sob ataque".

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"Nós divergimos na maneira de encarar fenómenos como o partido Chega. A posição da senhora embaixadora é proibir, fazer cordão sanitário", afirmou, em seguida, o candidato presidencial apoiado por PSD e CDS-PP.

Lembrando a intenção de Ana Gomes de "pedir ao Ministério Público que levante a questão da ilegalização do partido" Chega junto do Tribunal Constitucional, acrescentou: "Isso é um disparate. Eu sou contra, eu acho que ganha-se no debate das ideias, não se ganha proibindo, não se ganha calando, isso é dar razão, isso é vitimizá-los".

Ana Gomes contrapôs que, além das ideias, "é também com a ação política" que se responde aos extremismos, e Marcelo Rebelo de Sousa perguntou-lhe então "por que é que nunca pediu a ilegalização" deste partido formado há dois anos, referindo que, "como cidadã, podia ir ao Ministério Público pedir, não precisa de ser Presidente".

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