"Impunidade da comunidade cigana": Ventura revoltado com arquivamento de inquérito ao apedrejamento que sofreu em 2021

Investigação ao apedrejamento do candidato do Chega nas últimas presidenciais não conseguiu identificar quem foi o organizador do protesto.

02 de janeiro de 2026 às 19:58
Ventura critica arquivamento de inquérito sobre apedrejamento durante presidenciais
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O Ministério Público arquivou o inquérito ao protesto que resultou no apedrejamento de André Ventura, durante a última campanha presidencial. O caso remonta a 21 de janeiro de 2021, quando à saída de um comício no Cinema Charlot, em Setúbal, o presidente do Chega "foi alvo de arremesso de garrafas de água, pedras e objetos de metal". A manifestação contra o partido juntou cerca de 120 pessoas, que vociferavam palavras de ordem como "Ventura, ninguém te atura" e "Charlot sim, Hitler não". 

"Isto é incompreensível. Assim é mesmo a abertura total à impunidade da comunidade cigana. Eu tenho de retirar cartazes que dizem que eles têm de cumprir a lei mas eles podem atacar-me e apedrejar-me e passam impunes. Não pode ser", disse ao CM o agora também candidato a Belém, prometendo avançar com um recurso hierárquico. 

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O episódio de violência deu origem a outros dois inquéritos autónomos: um deles envolvia um homem, detido por atirar objetos, que acabou arquivado; um outro, contra um homem também detido, que culminou com dedução de acusação em processo sumário e respetiva condenação pela prática de um crime de ofensa à integridade física qualificada. 

Este último, era suspeito de ter marcado o protesto "com a finalidade de arremessar objetos ao candidato",  mas durante a investigação, que agora termina, "não foi possível obter elementos de prova que possam imputar ao arguido a organização do evento em causa". Foi, por isso, afastado o crime de participação em motim.

O Ministério Público pronunciou-se ainda sobre a eventual prática de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça ou injúria, devido as palavras de que Ventura foi alvo. "A invocação do fascismo ou nazismo é principalmente de índole política, são palavras oriundas de combate político, perfeitamente adequadas a um evento de natureza política e destinado a um protagonista político", entendeu o procurador titular do caso. 

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