José Luís Carneiro convicto que será primeiro-ministro e que não tem opositor interno
Sobre o regresso de Pedro Nuno Santos ao parlamento para reassumir o mandato de deputado, Carneiro afasta qualquer desconforto e revela que conversou com o ex-líder do PS na semana passada.
José Luís Carneiro mostra-se "firmemente convencido" de que vai disputar legislativas enquanto líder do PS, que será primeiro-ministro e recusa ter um opositor interno porque não vê divergências de fundo, recebendo Pedro Nuno Santos "de braços abertos".
Em entrevista à agência Lusa, o secretário-geral do PS acolhe o regresso do antecessor Pedro Nuno Santos ao parlamento, responde à recente recusa do ex-ministro Duarte Cordeiro para integrar os órgãos do partido e afasta a ideia que esteja a surgir uma oposição interna não assumida que possa vir a disputar a sua liderança perto de umas eleições.
"Estou firmemente convencido que irei a eleições e que vou ganhar as eleições para primeiro-ministro", enfatiza, clarificando que esta sua convicção é válida para o calendário normal das legislativas ou para uma eventual antecipação.
Sobre o regresso de Pedro Nuno Santos ao parlamento para reassumir o mandato de deputado, Carneiro afasta qualquer desconforto e revela que conversou com o ex-líder do PS na semana passada.
"Disse-lhe que o acolheríamos de braços abertos e se ele se sente bem hoje no parlamento, é onde ele deve estar. Ele tem um mandato, tem uma legitimidade. E mais, espero que ele se sinta bem", afirma, esperando que as suas "capacidades e experiência política sejam devidamente valorizadas no trabalho parlamentar".
A entrevista à Lusa realizou-se ainda antes das declarações de Pedro Nuno Santos, que na quarta-feira disse respeitar mais José Luís Carneiro do que "taticistas que se escondem atrás da porta" à espera de ventos favoráveis para se candidatarem à liderança do partido.
Concretamente sobre Duarte Cordeiro, Carneiro manifesta "a maior consideração" pelos seus camaradas que "têm manifestado as suas divergências pontuais".
"Estruturalmente não há nenhuma divergência de fundo. E a prova disso está no facto de termos tido um Congresso que aprovou por mais de 90% os órgãos que foram a Congresso. Isso é uma expressão muito forte de uma ampla convergência em relação à moção de estratégia", refere, lembrando que foi reeleito recentemente líder do PS e de novo sem opositor.
Para o socialista, tal como numa família onde nem sempre todos concordam em tudo, num partido que tem 100 mil militantes não seria desejável unanimismo de opiniões.
"Um partido como o PS é um partido plural e aquilo que eu tenho o dever de fazer é estimular essa pluralidade na expressão de opiniões. E também tenho o dever de convidar as pessoas para que não digam que esta liderança não criou espaço para a participação de todos quantos queiram participar mais ativamente", explica, considerando que estar nos órgãos é estar na primeira linha do partido.
Carneiro considera que "estruturalmente não há divergências de significado na forma" como tem feito oposição, aproveitando para se referir às recentes sondagens que mostram que, "em 10 meses, o PS subiu sete pontos percentuais na avaliação" dos portugueses.
Questionado sobre se via o antigo ministro dos governos de Costa como um opositor interno, o líder do PS foi perentório: "de modo algum, de forma alguma".
"Não vi agora, nem vi outrora, quando a primeira vez já convidei o Duarte, convidei a Mariana [Vieira da Silva], o António Mendonça Mendes, o Fernando Medina, o Francisco Assis, o Sérgio Sousa Pinto, a Ana Catarina Mendes para estarem na linha da frente do partido. E, portanto, não vi, em momento algum, esse sentimento. Vi opções diversas, nesta fase da vida das pessoas", aponta.
Sobre o futuro, Carneiro também não sabe o que poderá acontecer "porque vai depender muito das circunstâncias políticas" do país.
Duarte Cordeiro disse no domingo à Lusa que recusou o convite do secretário-geral socialista para integrar a Comissão Política Nacional do PS por não ter visto correspondidas "um conjunto de preocupações", ficando "menos comprometido com a atual liderança".
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