Secretário-geral socialista promete reciprocidade ao Governo no tratamento que der ao PS, que recusa ver provocado ou desconsiderado.
O secretário-geral socialista José Luís Carneiro, considera que a "estabilidade deve ser uma conquista" do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e promete reciprocidade ao Governo no tratamento que der ao PS, que recusa ver provocado ou desconsiderado.
Em entrevista à agência Lusa, o líder do PS diz que o Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) ainda está longe e que vai aguardar pela posição do Governo, deixa avisos sobre a estabilidade e a relação do executivo com o seu partido e anuncia o fim do modelo das cartas ao primeiro-ministro.
"A estabilidade deve ser uma conquista do primeiro-ministro e do Governo porque o primeiro-ministro conhece a composição do parlamento. Sabe que não pode ignorar a Assembleia da República. Tem o dever de a respeitar e tem o dever de construir a solidez política a partir do parlamento", avisa.
Na perspetiva de Carneiro, isto "depende mais" de Luís Montenegro "do que propriamente das oposições".
"Não pode é o primeiro-ministro estar permanentemente a contar com o elevado sentido de responsabilidade do PS para, na hora certa, viabilizar os seus orçamentos. Portanto, compete ao primeiro-ministro trabalhar para construir essa credibilidade e essa confiança. O que não tem acontecido, deve dizer-se", considera.
Depois da expectativa em torno da relação com o Governo nos dias que antecederam o congresso do PS, o líder do PS recusa que tenha havido qualquer "contradição entre o início e o fim" da reunião magna.
"Consoante o Governo atuar, assim atuará também o PS. Ou seja, se o Governo provoca o PS, se desconsidera o PS, o que é que poderá ter como resposta? A mesma desconsideração em relação às pontes de diálogo que venham a ser estabelecidas", enfatiza.
Coisa diferente será se o executivo de Luís Montenegro respeitar e dialogar com o PS e, nesse cenário, os socialistas têm o "dever de responder institucionalmente a essa procura do diálogo".
"Além de atuar em ziguezague, o que não cria mínimas bases de confiança na sua atitude, é um Governo que, de facto, tem hoje o país pior, e as pessoas que estão a ver as suas vidas andar para trás", critica, insistindo nas críticas que tem feito sobre a resposta do executivo aos vários problemas do país, desde logo a crise gerada pela guerra do Irão.
Sobre o OE2027, Carneiro refere que ainda se está longe e que é preciso conhecer a proposta do Governo, além de ter que ouvir "no momento próprio, os órgãos do PS".
"Vamos aguardar por aquilo que é a posição do próprio Governo. É cedo ainda. Cada coisa a seu tempo", aponta.
Sobre o modelo de uma eventual negociação, se será antes da entrega da proposta ou só depois do Governo a submeter ao parlamento, o secretário-geral do PS recusou "excluir cenários".
"A minha primeira responsabilidade é responder ao país e procurar aquilatar se a proposta do Orçamento do Estado responde ou não ao país", afirma.
Ressalvando que orçamento "não é o alfa nem o ómega" da política, Carneiro recorre a Jorge Sampaio e à sua frase de que "há mais vida para além do Orçamento".
"O Orçamento é um instrumento que pode não passar numa primeira vez e pode voltar uma segunda vez, e pode depois ser viabilizado. Mas obriga um esforço negocial do Governo com o próprio Parlamento", exemplifica.
Desde que lidera o partido, o socialista tem recorrido ao método de enviar cartas ao primeiro-ministro sobre diferentes temas, explicando que foi uma forma que encontrou "para conseguir furar essa barreira comunicacional" sobre as propostas do partido.
Carneiro decreta que "esse método terminou" e antecipa que as propostas do PS vão fazer-se no parlamento ou nas conferências de imprensa, já que "não houve sequer a educação de responder por escrito a essas cartas, como, aliás, exigiria o bom-tom institucional".
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