Luís Montenegro avisa que se oporá a próximo orçamento da UE se desrespeitar princípios da coesão

Primeiro-ministro pede que não se interrompa o caminho de convergência percorrido por Portugal.

24 de abril de 2026 às 12:13
Luís Montenegro Foto: Nuno Veiga
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O primeiro-ministro avisou esta sexta-feira que Portugal manifestará "uma oposição firme e fundamentada" ao próximo orçamento da UE se desrespeitar os princípios da política de coesão, pedindo que não se interrompa o caminho de convergência percorrido pelo país.

"Qualquer perspetiva que possa consagrar um desrespeito por esse princípio [da política de coesão], terá a nossa oposição firme e fundamentada. Não estamos aqui a reclamar nem a pedinchar nada, estamos aqui a ser parte ativa de um processo de afirmação do bloco", afirmou Luís Montenegro em declarações aos jornalistas à margem da cimeira informal dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), em Chipre, onde se discutiu esta manhã o próximo orçamento comunitário, para o período entre 2028 e 2034.

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O primeiro-ministro referiu que, durante a cimeira, avisou os restantes líderes que não se deve "descurar a política de coesão" e "interromper um caminho de convergência" que tem vindo a ser perseguido por países, como Portugal, que beneficiam dos fundos de coesão.

Montenegro salientou que Portugal tem hoje um crescimento económico "que supera a média da UE e da zona euro", tem um "desempenho financeiro que está entre os cinco melhores" Estados-membros e um "percurso de diminuição da dívida pública absolutamente notável".

"Portanto, não há nenhuma razão para que não tenhamos os recursos que, ao nível da coesão, asseguram uma Europa para as pessoas, a olhar para o território e para a dimensão social do trabalho da UE, mas sobretudo a olhar para aquilo que é a igualdade de oportunidades no âmbito do mercado único", afirmou.

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O primeiro-ministro reagia a uma proposta feita Comissão Europeia, que, segundo fontes europeias, prejudica os países que beneficiam de fundos da coesão e cujo Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita é inferior à media europeia de 90% (o RNB de Portugal é de 76,5%).

Ao abrigo desta proposta da Comissão Europeia, segundo as mesmas fontes, as verbas que Portugal receberia no próximo orçamento comunitário teriam um corte de 14% quando comparado com o que está atualmente em vigor.

Perante os jornalistas, Montenegro salientou que a lógica do próximo orçamento comunitário é de "fundos mais competitivos", em que o investimento disponível não é inicialmente distribuído por Estados, mas aberto a candidaturas concorrenciais entre países.

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"Portugal vai estar preparado para estas concorrência, para estar na linha da frente. O que eu quis e quero sinalizar é que, apesar dessa preparação, há um caminho de convergência que ainda não trouxe Portugal acima dos 90% da média do RNB, que é a referência que o Tratado da União Europeia consagra, e, portanto, é preciso respeitá-lo", afirmou.

Questionado se isso significa que teme que Portugal saia prejudicado das próximas negociações orçamentais, Montenegro respondeu: "Significa que estamos num processo negocial".

"E eu, como primeiro-ministro, tenho a obrigação de proteger o interesse de Portugal, precisamente para não sermos prejudicados", disse Montenegro, reiterando que o próximo orçamento da UE vai ter "um quadro novo, com uma nova filosofia".

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"Nós estamos preparados para estar dentro dessa filosofia, concorrendo com os outros. Não estamos amedrontados com isso, estamos preparados e vamos prepara-nos ainda mais, mas, ao mesmo tempo, não vamos descurar o princípio que nos traz a uma Europa unida, das pessoas, da competitividade económica", afirmou.

Nestas declarações aos jornalistas, Luís Montenegro foi ainda questionado se, caso volte a haver uma crise migratória, Portugal está disponível para mostrar solidariedade, ao abrigo do pacto da UE para as Migrações e Asilo, com os Estados-membros que sejam mais pressionados.

"Estaremos preparados para estar do lado daqueles que assumem um compromisso coletivo e que têm de o cumprir, com certeza. Passa pela cabeça de alguém nós subscrevermos pacotes e depois não os cumprirmos?", perguntou.

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