Mariana Leitão e Montenegro discutem quem pôs partido à frente do interesse nacional
Mariana Leitão abriu a sua intervenção no debate quinzenal, no parlamento, com uma crítica sobre a atuação de Luís Montenegro nas eleições presidenciais.
A presidente da IL acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro de ter posto o PSD à frente do interesse nacional nas presidenciais, mas Luís Montenegro lembrou que Mariana Leitão abdicou da sua candidatura presidencial para ser líder partidária.
Mariana Leitão abriu a sua intervenção no debate quinzenal, no parlamento, com uma crítica sobre a atuação de Luís Montenegro nas eleições presidenciais, culpando-o por o espaço do centro direito político não ter agora nenhum candidato a disputar a segunda volta.
"No primeiro dia da campanha eleitoral, [Luís Montenegro] fez um apelo ao voto útil e, depois, quando a realidade o ultrapassou, ignorou-a", sustentou a presidente da Iniciativa Liberal (IL), numa alusão ao facto de o presidente do PSD ter insistido no apoio à candidatura de Marques Mendes, que ficou em quinto lugar, bem atrás do liberal Cotrim Figueiredo, que ficou em terceiro lugar.
Depois, Mariana Leitão deixou a seguinte pergunta ao primeiro-ministro e presidente do PSD: "Já consegue explicar aos portugueses a razão que o motivou a colocar os seus interesses partidários à frente dos interesses do país, levando a que não exista um candidato de centro-direita na segunda volta destas presidenciais?"
O primeiro-ministro devolveu: "Se há alguém que encarou as eleições presidenciais sob o ponto de vista do interesse partidário, com todo o respeito, foi a senhora deputada [Mariana Leitão], porque deixou de ser candidata presidencial para assumir um cargo partidário".
Com muitos deputados da bancada do PSD a rirem-se, Mariana Leitão alegou, a seguir, que deixou de ser candidata presidencial para ser líder da IL "por opção estratégica".
Uma opção para defender "o interesse do meu partido, que é também o interesse do país", argumentou Mariana Leitão.
Mariana Leitão disse mesmo que não traiu o país ao deixar como "única escolha aquilo que existe neste momento", ou seja, uma disputa entre o antigo secretário-geral socialista António José Seguro e o líder do Chega, André Ventura.
"Sabemos bem qual vai ser o resultado final e sabemos bem o quão mau será qualquer um dos cenários", advertiu, antes de acusar Luís Montenegro de ter posto "todo o seu peso político, todo o peso político dos seus ministros e todo o peso político das estruturas partidárias do seu partido" ao serviço da candidatura presidencial de Marques Mendes.
Para Mariana Leitão, por não haver agira um candidato do centro direita na segunda volta das eleições presidenciais, tal "impede no futuro que se implementem as reformas que o país precisa".
O primeiro-ministro pegou precisamente neste último ponto para responder a Mariana Leitão, afirmando que não consegue compreender a razão de a IL se "retirar da esfera dos partidos políticos que estão disponíveis para convergir com o Governo".
Como exemplo, invocou o voto contra da Iniciativa Liberal em relação à proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2026.
"Num Orçamento que diminui os impostos sobre o rendimento do trabalho, um liberal vota contra? Um orçamento que diminui impostos sobre as empresas um liberal vota contra? Um orçamento do Estado que tem uma linha de reforma do Estado um liberal vota contra?", perguntou o primeiro-ministro.
Neste contexto, questionou então Mariana Leitão sobre o espaço político em que realmente se situa, porque a IL "vota contra o Orçamento ao lado da esquerda mais radical e da direita mais extremista deste parlamento".
Para o primeiro-ministro, na atual configuração parlamentar, a IL até tem "a oportunidade de desempenhar um papel positivo neste ciclo governativo".
"Tivemos eleições em maio e o povo pronunciou-se de forma muito clarividente: Aumentou bem a representação dos partidos que apoiam o Governo e aumentou um bocadinho a representação da bancada da Iniciativa Liberal", apontou.
O primeiro-ministro deixou, depois, um desafio à presidente da IL em matéria de convergência política: "Se a senhora deputada tem vontade, venha; se não tem vontade, assuma".
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