Ministro atribui aumento de colocados a reposição de regras de acesso ao Ensino Superior

Entre os mais de 60 mil candidatos, 49.991 jovens conseguiram colocação numa instituição de Ensino Superior pública, mais 6.092 do que em 2025.

24 de agosto de 2026 às 14:51
Ministro da Educação, Fernando Alexandre Foto: António Cotrim/Lusa
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O ministro da Educação afirmou esta segunda-feira que o aumento do número de estudantes que entraram no Ensino Superior na 1.ª fase de acesso não representou uma surpresa e que foi o resultado expectável da reposição de regras.

"A previsão que tínhamos cumpriu-se", sublinhou Fernando Alexandre, em entrevista à RTP, a propósito do número de estudantes colocados na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES).

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Entre os mais de 60 mil candidatos, 49.991 jovens conseguiram colocação numa instituição de Ensino Superior pública, mais 6.092 do que em 2025, quando o número de colocados foi o mais baixo desde 2017.

Na altura, o ministro da Educação, Ciência e Inovação justificou a quebra com a aplicação de novas condições de conclusão do ensino secundário e de acesso ao Ensino Superior, que exigiam, pelo menos, duas provas de ingresso.

Logo em janeiro, a tutela anunciou a reversão das regras aprovadas em 2023 pelo governo então liderado por António Costa, aplicadas pela primeira vez aos candidatos para 2025/2026, e que as instituições de Ensino Superior poderiam voltar a exigir apenas uma prova de ingresso.

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"Para nós, não houve surpresa nenhuma", afirmou esta segunda-feira Fernando Alexandre, lembrando que o número de estudantes colocados no domingo acompanha os resultados dos concursos entre 2020 e 2024.

Em 2020 -- ano em que foram adotadas regras excecionais para a conclusão do ensino secundário e ingresso no superior devido à pandemia de covid-19 -- as colocações na 1.ª fase do CNAES ultrapassaram as 50.900, rondando as 49 mil nos anos seguintes, à exceção de 2025, quando caíram para 43.899.

Questionado se o elevado número de pedidos de reapreciação de provas realizadas na 1.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário poderá explicar igualmente o aumento de candidaturas e colocações no Ensino Superior, Fernando Alexandre afastou a hipótese.

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Devido às falhas no processo de classificação dos exames nacionais -- pela primeira vez avaliados em formato digital -- e na divulgação das notas, o número de pedidos de reapreciação triplicou face a anos anteriores.

Ainda assim, as tendências no resultado dessas reapreciações mantiveram-se e cerca de 76% dos alunos melhoraram a classificação, uma percentagem próxima da registada habitualmente, que ronda os 70%, segundo o ministro.

Por outro lado, o governante reconhece que, em resultado das alterações ao modelo de classificação, muitos estudantes que obtiveram 9,4 valores, e estavam assim impedidos de concorrer ao ensino superior, beneficiaram da reapreciação.

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"Só por aí é que eu vejo um efeito das reapreciações, mas (...) a grande mudança foi, de facto, passarmos das duas provas mínimas [mínimo exigido] de ingresso para uma prova mínima", insistiu.

De acordo com o Instituto para o Ensino Superior, dos 1.519 cursos que podiam fixar apenas uma prova de ingresso, 88% fizeram-no.

Na entrevista à RTP, Fernando Alexandre reconheceu ainda a persistência de desigualdades no acesso ao Ensino Superior, mas sublinhou que as alterações ao regime de ação social, que serão introduzidas de forma faseada já a partir deste ano, pretendem mitigar, sobretudo, as barreiras financeiras.

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Cerca de 1.600 alunos beneficiários do escalão A de ação social escolar conseguiram colocação na 1.ª fase do CNAES.

Apesar do aumento face a 2025, os estudantes mais pobres representam este ano apenas 3% do total de 49.991 colocados, quando em 2025 representavam 3,5%.

Além do reforço dos apoios no Ensino Superior, o ministro sublinhou a necessidade de intervir em todo o percurso escolar dos alunos, desde o pré-escolar.

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As colocações da 1.ª fase do CNAES foram divulgadas esta segunda-feira na página do IES, disponível em www.dges.gov.pt, e os estudantes colocados têm até 27 de agosto para realizar a matrícula.

As candidaturas à 2.ª fase do concurso decorrem entre 24 de agosto e 20 de setembro, com pelo menos 6.639 vagas que ficaram por ocupar.

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