Ministro da Reforma do Estado critica Tribunal de Contas por imiscuir-se em funções governativas
Governo já anunciou que que rever a lei do TC até ao verão deste ano.
O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, criticou esta sexta-feira o Tribunal de Contas por "imiscuir-se em funções que são administrativas e políticas", considerando "uma violação da separação de poderes".
"Ter um tribunal a imiscuir-se em funções que são administrativas e são políticas, é um tribunal a querer legislar, a querer governar, isto é que é uma violação da separação de poderes que nós não podemos aceitar", disse o governante no parlamento, no âmbito do debate setorial sobre a reforma do Estado.
Em resposta ao líder do Chega, André Ventura, que levantou dúvidas relativamente ao fim do visto prévio, o ministro referiu que não foi o visto prévio que preveniu a corrupção em Portugal e ressalvou que "procedimentos claros, transparentes, rápidos e previsíveis" é que eliminam a mesma.
"Portugal tem graves problemas de corrupção e temos desde as últimas décadas o visto prévio, então é porque não foi o visto prévio a evitar os problemas de corrupção", afirmou Gonçalo Matias.
"Se nós tivermos procedimentos claros, transparentes, rápidos e previsíveis, aí a corrupção deixa de ter razão de existir, deixa de haver o combustível que leva à corrupção", acrescentou.
Não obstante, o ministro ressalvou que "qualquer redução em matéria de visto prévio será acompanhada pelo reforço da fiscalização a posteriori".
O governante afirmou ainda que na Europa só três países é quem têm visto prévio, designadamente Bélgica, Itália e Grécia.
"Nestes três casos, o visto prévio é sempre para valores muito elevados, sempre acima de cinco milhões de euros e apenas para situações de grave interesse nacional, como é a defesa ou como é a segurança pública", disse.
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