Ministro dos Assuntos Parlamentares considera natural rever Constituição mas "no final da legislatura"

Carlos Abreu Amorim alertou para a "tarefa ciclópica", embora "não impossível", que será rever a Constituição num parlamento com dez forças políticas e apelou a que a Constituição não seja usada como desculpa.

20 de abril de 2026 às 17:25
Carlos Abreu Amorim Foto: LUSA
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O ministro dos Assuntos Parlamentares desdramatizou esta segunda-feira uma eventual revisão da Constituição, considerando-a natural, mas defendeu que só deveria ser feita "no final da legislatura" e que não sirva de pretexto para o Governo não fazer reformas.

Carlos Abreu Amorim foi esta segunda-feira o orador convidado de um almoço-debate organizado pelo International Club of Portugal, em Lisboa, dedicado ao tema "Crise das Democracias Contemporâneas e a Constituição Portuguesa", e no qual defendeu que a Lei Fundamental portuguesa "é uma boa Constituição porque passou a prova do tempo".

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Questionado diretamente pelo eurodeputado Sebastião Bugalho, um dos muitos políticos presentes, se o atual texto constitucional pode defender o regime democrático ou devem ser introduzidas mudanças, o ministro admitiu que "é um documento vivo".

"A revisão constitucional não é drama nenhum. Nós tivemos muitas revisões constitucionais, quer ordinárias, quer extraordinárias. Elas estão previstas na própria Constituição", disse, alertando que as balizas são apenas o artigo relativos aos limites materiais de revisão.

Apesar de não ter sido questionado sobre o 'timing' em que essa revisão pode acontecer, o ministro Abreu Amorim disse concordar "integralmente" com a posição do primeiro-ministro, Luís Montenegro.

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"O que nós temos que fazer agora é transformar Portugal. O que nós temos que fazer agora é fazer frente aos problemas que estão perante nós e, na lógica que eu prefiro, que é na lógica dos pequenos passos", disse.

Abreu Amorim lembrou que a Lei Fundamental não é revista desde 2005, considerando que sua revisão "não tem nada de extraordinário" e é "algo de natural".

"Mas a nossa prioridade é transformar Portugal. A revisão da Constituição não a colocamos de parte, era só o que faltava. É, para nós, preferível que seja feita no final da legislatura, quando algumas das mudanças que tantos reclamam - mas que depois teimam em não ver - estiverem patentes aos olhos de toda a gente", disse.

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O ministro dos Assuntos Parlamentares alertou para a "tarefa ciclópica", embora "não impossível", que será rever a Constituição num parlamento com dez forças políticas e apelou a que a Constituição não seja usada como desculpa.

"Com certeza que o parlamento democrático português saberá também ultrapassar as suas dificuldades, quer em relação ao seu próprio funcionamento, quer em relação à revisão constitucional, que, repito, era bom que fosse no final da legislatura, para que não sirva de causa, motivo e pretexto para não fazermos aquilo que temos de fazer", apelou.

Quanto ao sentido dessa revisão, Sebastião Bugalho tinha sugerido como "alterações positivas" a introdução de uma cláusula mínima para que um partido tenha assento no parlamento (na Alemanha são 5%) ou um bónus ao vencedor eleitoral, para reforçar a estabilidade, como existe na Grécia.

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O ministro considerou que haverá diferentes perspetivas para uma futura revisão, admitindo que o PSD possa pretender alterações que favoreçam a estabilidade, enquanto a IL pretenderá mudar a parte económica da Constituição.

"Suspeito que o Chega quer fazer, não uma revisão constitucional, mas uma rutura constitucional, se calhar, uma nova Constituição. Compaginar isto tudo é muito complicado", avisou, perante uma plateia onde estavam deputados desta força política, como o vice-presidente do parlamento Diogo Pacheco de Amorim ou Eduardo Teixeira.

O ministro dos Assuntos Parlamentares alertou que o próprio regimento da Assembleia da República "não foi feito, moldado, pensado, para dez forças políticas", dando como exemplo o número de vezes que cada governante é chamado a responder perante os deputados.

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"A certa altura, os ministros que vão lá numa audição regimental, isto é, periódica, de repente têm cinco, seis, sete pedidos para ir lá falar sobre coisas diferentes. Porquê? Porque o Regimento não foi feito para isso. Nós também temos que pensar nisso", disse.

No almoço marcaram ainda presença o ex-candidato presidencial apoiado por PSD e CDS-PP Luís Marques Mendes, o antigo ministro Miguel Relvas, alguns deputados do PSD ou a antiga deputada do CDS-PP Cecília Meireles.

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