MNE convoca embaixador russo para explicações após drone atingir Roménia
Incidente ocorreu durante a madrugada em Galati, uma cidade no leste da Roménia perto da fronteira com a Ucrânia e fez dois feridos.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português convocou esta sexta-feira o embaixador russo em Lisboa para pedir explicações sobre o drone que atingiu um edifício residencial na Roménia.
Segundo o gabinete de Paulo Rangel numa informação divulgada aos jornalistas, "na sequência da condenação desta manhã do grave ataque russo que atingiu a Roménia, o embaixador da Federação Russa foi convocado para explicações".
O incidente ocorreu durante a madrugada em Galati, uma cidade no leste da Roménia perto da fronteira com a Ucrânia, e fez dois feridos.
O drone atingiu o décimo piso de um edifício residencial e a carga explosiva detonou por completo, disseram os bombeiros romenos, que conseguiram extinguir o incêndio provocado pelo impacto do aparelho.
A Roménia, membro da NATO e da UE, partilha uma extensa fronteira com a Ucrânia e tem registado vários incidentes relacionados com a guerra desencadeada pela Rússia, incluindo a queda de destroços de drones em zonas próximas da fronteira.
NATO e UE condenaram prontamente o incidente, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a acusar a Rússia de ter "cruzado uma nova linha".
Também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, condenou através das redes sociais "a violação do espaço aéreo da Roménia e da lei internacional" e sublinhou que "a escalada da Rússia em território da UE é imprudente e irresponsável".
A Roménia, após convocar o embaixador russo no país para explicações, reagiu posteriormente declarando como 'persona non grata' o cônsul-geral da Rússia em Constança e ordenou o encerramento do consulado russo na Roménia.
Num comunicado divulgado 'online', o Presidente romeno, Nicusor Dan, acusou a Rússia de "total responsabilidade" pelo "incidente sem precedentes" e anunciou medidas diplomáticas imediatas contra Moscovo.
Vários países, tais como França, Alemanha, Reino Unido, Ucrânia e Moldova também condenaram o ataque que violou a soberania da Roménia.
Após uma primeira condenação, o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, referiu que a NATO está "pronta para defender cada centímetro quadrado do território dos Aliados" e manifestou "solidariedade absoluta" ao Presidente romeno, Nicusor Dan.
Como membro da NATO, a Roménia está abrangida pelo Artigo 5.º da organização, que prevê uma cláusula de solidariedade e estipula que um ataque armado contra um país membro da Aliança seja considerado como um ataque dirigido contra todos.
Este artigo do Tratado do Atlântico Norte foi utilizado apenas uma vez, em 2001, após os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.
O Artigo 5.º "sustenta todas as atividades da NATO no domínio da dissuasão e da defesa", incluindo "a realização regular de exercícios militares e o destacamento de forças militares permanentes", segundo a Aliança, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
A Rússia ameaçou com "medidas de retaliação" iminentes em resposta à decisão da Roménia de declarar o cônsul-geral russo no país 'persona non grata' e decidir encerrar o consulado.
"As medidas de retaliação (...) não se farão esperar", assegurou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, às agências de notícias russas.
Zakharova afirmou ainda que os países ocidentais estão a "fazer barulho" em torno do incidente com o objetivo de "desviar a atenção" de um ataque da Ucrânia contra uma residência de estudantes na região ocupada de Lugansk, que resultou em 21 mortos.
A porta-voz da diplomacia russa acrescentou que a Roménia precisava de algo para justificar o encerramento do consulado russo no país e que agora o conseguiu.
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