MODERNA: VINGANÇA DÁ ORIGEM AO PROCESSO

José Braga Gonçalves, principal arguido do ‘caso Moderna’, afirmou ontem que a razão de ser do processo é um organograma feito por Nandim de Carvalho, com ligações entre a Universidade e a Maçonaria.

08 de abril de 2003 às 00:33
MODERNA: VINGANÇA DÁ ORIGEM AO PROCESSO Foto: Direitos Reservados
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O termo usado pelo arguido para se referir ao tal organograma, elaborado pelo antigo grão-mestre da Grande Loja Regular de Portugal (GLRP), foi "croqui". Supostamente, segundo Braga Gonçalves esse “croqui” terá sido “a causa que desencadeou o processo", porque reúne todas as pessoas com quem Nandim de Carvalho se incompatibilizou.

Braga Gonçalves sustentou, ainda, que esse croqui é fruto do “imaginário” de Nadim e afirmou que o ex-grão-mestre colocou José Júlio Gonçalves no processo porque este é seu pai. "Não tem nada a ver com a Maçonaria. Apanhou por tabela por ser meu pai", afirmou o arguido.

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O certo é que esse documento estabelece uma teia de ligações entre a cooperativa de ensino Dinensino, grupos de comunicação social, PSD, Universidade Moderna, Casa do Sino, Causa Monárquica, ONG Nau, empresas de construção civil, agências de viagens Brotur e Falcon Tours, MKT - Marketing e Publicidade e sociedade de advogados de José Braga Gonçalves, Carlos Amaro, Rui Gomes da Silva e José Manuel Félix. Além disso, o documento fala de conexões ao 21º Cartório Notarial, a Vale e Azevedo e ao Benfica, bem como a máfia russa e chinesa, e ligações entre a Casa do Sino e lojas maçónicas internacionais.

Braga Gonçalves disse aos juízes que tinha explicações para todos os nomes envolvidos no processo, nomeadamente o advogado e antigo deputado social-democrata Rui Gomes da Silva, aos arguidos José Júlio Gonçalves (seu pai e ex-reitor), Sousa Lara, Esmeraldo Azevedo e José Vitoriano, mas não convenceu os juízes.

JOSÉ JOÃO ZOIO CHOROU À PORTA DA UNIVERSIDADE

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O principal arguido do ‘caso Moderna’, explicou ontem ao colectivo de juízes de Monsanto a génese da sua relação com o cavaleiro tauromáquico José João Zoio.

Segundo José Braga Gonçalves, a razão pela qual o cavaleiro Zoio começou a trabalhar na Universidade Moderna deve-se ao facto de Fernando Teixeira, ex-grão-mestre da Grande Loja Regular de Portugal, lho ter pedido como um favor. “Na altura o cavaleiro Zoio estava a atravessar momentos difíceis e também era da maçonaria. Não sabia o que lhe arranjar e pensei que cargo podia ocupar um toureiro.

No entanto, depois de o conhecer e falar com ele atribui-lhe o cargo de relações públicas da Universidade Moderna. Passados 15 dias, talvez menos, despedi-o. Zoio deu uma entrevista cujo título era: “Sou relações pública da Moderna, mas os meus filhos estudam na Lusíada. Depois disso, Zoio esteve, durante uma semana, a chorar à porta da universidade. As pessoas contavam-me, mas eu para não o encontrar saía pela porta das traseiras”, declarou José Braga Gonçalves.

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