Montenegro desdramatiza previsões da Comissão Europeia de défice de 0,1% em Portugal
Primeiro-ministro refere que existe uma estrutura do poder público "suficientemente forte" para contrariar esta previsão.
O primeiro-ministro desdramatizou esta quinta-feira as previsões da Comissão Europeia que aponta um défice de 0,1% este ano para Portugal, referindo que existe uma estrutura do poder público "suficientemente forte" para contrariar esta previsão.
"Temos uma estrutura de poder público, local, regional e nacional, suficientemente fortes e fortalecidos para, mesmo neste contexto de dificuldade, podermos contrariar esta previsão", afirmou Luís Montenegro, durante o discurso da inauguração do Hospital CUF Leiria.
O chefe do executivo considerou que "não há razão para dramatizar a situação". "Pelo contrário, há razão para estarmos conscientes, para termos sentido de responsabilidade e prudência, mas ao mesmo tempo muita confiança", acrescentou.
No dia em que inaugura a CUF e foi aprovado em Conselho de Ministros a transformação do Politécnico de Leiria em Universidade de Leiria e Oeste, Luís Montenegro acrescentou que também se ficou a saber "as previsões económicas da Comissão Europeia, que para Portugal perspetivam um ligeiro agravamento da situação económica e financeira, isto é, uma taxa de crescimento económico um pouco aquém, muito pouco de resto, daquilo que era a previsão inicial".
Segundo o primeiro-ministro, fruto da depressão Kristin e da incerteza internacional, a Comissão Europeia entende que Portugal pode fechar o ano "com um ligeiro deficit, no caso dessa previsão, de 0,1%".
Considerando que o Governo "tem os pés bem assentes na terra", o governante destacou a vitalidade das instituições "públicas, privadas, do setor social, do poder autárquico municipal, da capacidade empreendedora, da resistência e resiliência" demonstrada enquanto comunidade.
"Eu próprio já tinha antecipado que este ano seria um ano mais difícil do que aquilo que perspetivávamos. Mas quero dizer-vos que confio que em 2026 vai acontecer o que aconteceu em 2025 e já tinha acontecido em 2024: mesmo com estas previsões, vamos chegar ao final do ano e vamos superar um exercício que é legítimo e normal de antecipação daquilo que ainda não aconteceu", observou.
Luís Montenegro acrescentou que o Governo não tem "nenhuma obsessão com a situação financeira superavitária do país" e que não está "obrigado, por nenhuma razão, a ter um desempenho que resulte num superavit orçamental no final do ano".
A Comissão Europeia está mais pessimista que o Governo e antecipa que Portugal passará de excedente a um défice de 0,1% do PIB [produto interno bruto] em 2026, com o impacto dos apoios após as tempestades e das reduções de impostos.
Segundo as previsões económicas de primavera, divulgadas esta quinta-feira, Bruxelas prevê um défice de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e de 0,4% do PIB em 2027, assumindo a manutenção das políticas, enquanto o Governo projeta um saldo orçamental nulo este ano.
Em 2026, a queda prevista reflete o impacto das medidas de apoio governamental tomadas em resposta à série de tempestades de janeiro e fevereiro, explica o executivo comunitário.
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