Inauguração das instalações do consulado culmina o cumprimento de uma promessa feita em junho de 2022, durante uma visita do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, visita Andorra na quarta-feira, onde inaugurará oficialmente o novo Consulado-Geral de Portugal no país e se reunirá com o chefe do executivo do principado, Xavier Espot Zamora.
Luís Montenegro cumpre na quarta-feira uma visita que esteve prevista para 29 de janeiro e que foi cancelada por causa das tempestades que atingiram então Portugal.
A visita de algumas horas a Andorra arranca na quarta-feira à tarde em Andorra-a-Velha com a inauguração oficial do Consulado-Geral de Portugal neste país dos Pirenéus, localizado na fronteira de Espanha com França e onde 9,5% da população tem nacionalidade portuguesa, segundo estatísticas oficiais.
A inauguração das instalações do consulado culmina o cumprimento de uma promessa feita em junho de 2022, durante uma visita do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Na altura, o então secretário de Estado das Comunidades, Paulo Cafôfo, anunciou a abertura de um Consulado-Geral em Andorra, respondendo assim a reivindicações da comunidade portuguesa, que se queixava de que tinha de se deslocar a Barcelona (a 200 quilómetros de distância) para ter acesso a serviços consulares desde o encerramento da embaixada em 2012, no âmbito de cortes orçamentais decididos durante o resgate da 'troika'.
Após o fecho da embaixada, Portugal manteve em Andorra um Consulado Honorário, com alguns serviços consulares, e o Consulado-Geral, na sequência da promessa de 2022, foi formalmente criado por um decreto de março de 2024.
O diplomata Duarte Pinto da Rocha, que estava na embaixada portuguesa de Pequim, foi nomeado cônsul-geral em Andorra em agosto de 2024 e iniciou funções em setembro do mesmo ano.
Desde então o Consulado-Geral esteve a funcionar temporariamente nas instalações do antigo Consulado Honorário e mudou-se para o novo espaço em meados do ano passado, ainda em obras. É este espaço, já totalmente recuperado, que Luís Montenegro inaugura esta terça-feira oficialmente.
Segundo o programa divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro terá depois desta inauguração um encontro com o homólogo de Andorra, na sede do Governo do Principado, e no final do encontro será assinado um "Acordo de Cooperação entre a República Portuguesa e o Principado de Andorra em Matéria de Segurança Interna".
A vista de Luís Montenegro a Andorra termina com uma "receção com a comunidade portuguesa em Andorra", num hotel de Andorra-a-Velha, a capital do principado.
Integram a delegação portuguesa desta visita, além do primeiro-ministro, o embaixador de Portugal em Andorra (não residente) e embaixador de Portugal em Espanha, José Augusto Duarte, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, e o cônsul-geral de Portugal em Andorra, Duarte Pinto da Rocha.
Viviam em Andorra no final de 2025, segundo estatísticas oficiais do principado, 8.428 pessoas com nacionalidade portuguesa, o equivalente a 9,5% da população do país.
Os portugueses são a segunda maior comunidade estrangeira residente em Andorra, a seguir à espanhola (21.013 pessoas).
As autoridades portuguesas estimam que, incluindo os lusodescendentes, a comunidade portuguesa seja o dobro dos 8.428 residentes que revelam as estatísticas oficias de Andorra, país que não admite a dupla nacionalidade.
Apesar de ser um destino antigo e tradicional da emigração portuguesa, a comunidade residente no país tem vindo a descer de forma lenta, mas contínua: nos últimos 15 anos passou de 10.832 pessoas (em 2010) para 8.428 (em 2025).
O cônsul-geral Duarte Pinto da Rocha lembrou, em declarações à Lusa no final de janeiro, que a comunidade chegou a alcançar as 18.000 pessoas, num momento em que a população total de Andorra rondava os 60.000 habitantes, muito menos dos que os atuais quase 90.000.
Os grandes números de emigração portuguesa para Andorra coincidiram também com picos na construção civil local, como aconteceu entre a décadas de 1980 e os primeiros anos deste milénio, e quando os salários eram muito mais atrativos do que em Portugal.
Posteriormente, o custo de vida agravou-se em Andorra, sobretudo no imobiliário, e a emigração portuguesa para o país diminuiu também, explicou Duarte Pinto da Rocha.
A maioria dos portugueses continua atualmente a trabalhar na construção, no comércio, na hotelaria e na restauração, mas há agora também uma nova emigração para Andorra, com um perfil mais qualificado, diferenciado e diversificado, e que se dedica a outro tipo de serviços, como a promoção imobiliária, disse o cônsul-geral.
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