Mortágua considera que "o mundo mudou" e que o Bloco de Esquerda "tem de mudar quase tudo"

Coordenadora cessante deixou ainda uma mensagem à "direita radicalizada e caceteira" de que "não se livram" do Bloco.

29 de novembro de 2025 às 12:11
Mariana Mortágua disse que liderar o partido foi "o orgulho" da sua vida Foto: Hugo Delgado/Lusa
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A coordenadora nacional cessante do BE, Mariana Mortágua, avisou este sábado que a "direita radicalizada e caceteira" não se livra dos bloquistas, num discurso em que defendeu mudanças internas sem que o partido abdique das suas causas.

"Daqui garanto a toda a direita radicalizada e caceteira: não se livram de nós. Estamos aqui para lutar, somos o povo da liberdade, estamos aqui para vencer, não se livram de nós", avisou Mariana Mortágua, no seu discurso de abertura da 14.ª Convenção Nacional do partido que arranca hoje no pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa.

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Na sua intervenção de despedida como coordenadora, Mortágua considerou que para responder ao "ataque" da direita, o BE "aprenderá, mudará e crescerá", construindo um partido "de comunidade e uma militância com espaços permanentes", criando "unidade na luta".

Durante esta intervenção, Mortágua também falou para dentro, avisando que o BE "tem de ser mais forte e tem de recuperar".

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"E para crescer temos de aprender e temos de mudar. O mundo mudou, a política mudou. E o Bloco tem de mudar quase tudo. E quase tudo não é demais", alertou.

Mortágua salientou que o partido só não pode mudar "a fibra" de que é feito -- lembrando causas como o feminismo ou a luta contra o racismo -- "porque nestes tempos quem não tiver uma âncora forte vai ser arrastado pela corrente".

A bloquista confessou que assumir o cargo de coordenadora nacional, durante dois anos, foi "o orgulho" da sua vida e disse sair sem arrependimentos, nomeadamente em relação à sua participação na flotilha para Gaza.

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"Ter assumido convosco esta responsabilidade foi o orgulho da minha vida", afirmou Mariana Mortágua, no discurso de abertura da 14.ª Convenção Nacional do BE, que decorre no Pavilhão Municipal do Casal Vistoso, em Lisboa.

No mesmo local onde foi consagrada, há cerca de dois anos, coordenadora do BE, Mortágua fez um balanço do seu mandato, afirmando que aprendeu imenso e não leva consigo "qualquer ressentimento e muito menos desalento".

"Não escolhemos o tempo em que vivemos, mas escolhemos como queremos vivê-lo e com quem. E em tempos difíceis foi convosco no Bloco de Esquerda que eu quis estar e é convosco que quero estar por tudo o que somos e por tudo aquilo que seremos no futuro", acrescentou.

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Mortágua, que subiu ao púlpito com um keffiyeh aos ombros, um lenço com um padrão xadrez preto e branco, símbolo da causa palestiniana, lembrou o período no qual participou numa flotilha internacional que tinha como objetivo levar ajuda humanitária até à Faixa de Gaza.

"Não me arrependo de nenhum desses dias em que não virámos a cara ao inimigo e sei que continuaremos com a mesma determinação. A Palestina será livre", sublinhou.

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Enquanto participava nesta flotilha, Mariana Mortágua disse ter sentido o apoio de um partido "determinado, que não desiste de nada".

"Nós sabemos o que somos. Somos a inquietação do que está por fazer. As perguntas que ainda não sabemos responder. Somos a impaciência de uma viagem que procura o seu horizonte com a força de quem deseja transformar a espera em torrente. E somos a firmeza das raízes profundas na vida do nosso povo. Aqui, neste partido, a combatividade não é defeito, é feitio, é a massa de que somos feitos", realçou.

A bloquista partilhou com os militantes bloquistas "um segredo" que "os desalmados da extrema-direita e os mentirosos das redes sociais nunca irão perceber", numa resposta a quem a criticou pela participação nesta flotilha.

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"É que as amizades nascidas na luta por justiça, na experiência partilhada dessa luta, são laços para sempre. São laços criados na coragem comum de árabes e europeus, africanos e americanos do Sul e do Norte. Juntos, toda essa gente, juntos fomos a expressão da consciência do mundo contra a barbárie que nos querem impor", criticou.

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