PTRR vai ter montante global de 22,6 mil milhões de euros e será executado "de 2026 a 2034"

Documento foi apresentado pelo primeiro-ministro esta segunda-feira.

28 de abril de 2026 às 17:21
Luís Montenegro Foto: CMTV
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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, apresentou esta segunda-feira, no Pavilhão de Portugal, em Lisboa, o plano final do programa 'Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência' (PTRR), criado em fevereiro na sequência das consequências das depressões Kristin, Leonardo e Marta.

O documento que foi também aprovado esta segunda-feira em Conselho de Ministros, três meses depois da catástrofe que causou 19 mortos e centenas de feridos e desalojados, e um ano após o apagão, prevê um investimento de 22,6 mil milhões de euros e está dividido entre fundos públicos nacionais (37%), financiamento privado (34%) e fundos europeus (19%), de acordo com um documento síntese distribuído na apresentação.

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A 21 de fevereiro, o Conselho de Ministros já tinha aprovado as linhas gerais do programa, que assentará em três pilares.

O primeiro, de recuperação, centrado na resposta às populações e empresas afetadas; o segundo, de responder, virado para infraestruturas e capacidade de planeamento, prevenção e adaptação. O terceiro pilar é o de transformação, vocacionado para integrar outras reformas em curso. 

"Recuperar"

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O primeiro pilar prevê mais meios e mais investimento tecnológico no INEM, um reforço das redes elétricas, das centrais de abastecimento de água e energia, assim como quatro mil milhões de eutros para investir nas redes de distribuição de gás e electricidade. A construção de quatro novas barragens e de cerca de 400 charcas e albufeiras foram também medidas anunciadas. 

"Responder"

No segundo pilar, o responder, incluiu- se o investimento em infraestruturas nos "planos hídrico, florestal, sísmico, energético, comunicacional e de cibersegurança", bem como a reforma do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), da Proteção Civil e da segurança das infraestruturas críticas.

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Soma-se às 24 medidas do segundo pilar a criação de um fundo de catástrofes naturais e sísmica que esteja alocado a um sistema de seguros obrigatórios para habitações e empresas. 

A "medida com maior impacto", de acordo com Montenegro, será o reforço do papel das Juntas de Freguesias em caso de catástrofes: as junta de freguesias terão comunicação, acesso a dados e à possibilidade de ter rede. Serão entregues em todas as freguesias do país telefones satélite, telefones siresp e terminais starlink.

"Transformar" 

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O terceiro pilar, visa à transformação e uma das medidas anunciadas foi o reforço das emissoras de rádios, que o primeiro-ministro reforçou terem sido importantes aquando do apagão e das tempestades. 

O programa tem objetivos de curto prazo até final do ano, outros de médio até final da legislatura (2029) e outros que têm um horizonte de execução que vai para lá do mandato do atual Governo, até 2034, coincidindo com o próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia.

No documento preliminar, o Governo recusava abrir novos canais para a entrada de imigrantes, defendendo que a procura de mão-de-obra deve dar prioridade ao mercado nacional e só depois a outros países, com recurso exclusivo aos recursos da rede consular e ao protocolo já existente de Migração Laboral Regulado, também conhecido como 'Via Verde' para a imigração.

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O Governo respondeu com medidas que atingiram 3,5 mil milhões de euros entre ajudas diretas, moratórias e linhas de crédito para a recuperação de famílias e empresas nos municípios mais afetados. No entanto, empresários, agricultores, autarquias e particulares continuam a alertar para a morosidade dos pagamentos e a burocracia dos processos.

O Governo precisou ainda que o PTRR prevê "significativos montantes de despesa das administrações públicas", mas sublinhou que este foi desenhado com "preocupações de sustentabilidade orçamental" e equilíbrio das contas.

Até à semana passada, tinham sido apresentadas cerca de 65 mil candidaturas a todas as linhas de apoio que estão em curso, no âmbito da agricultura, Segurança Social, Autoridade Tributária e Instituto de Emprego, incluindo quase 36 mil candidaturas à reconstrução de habitações.

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Segundo o coordenador da Estrutura de Missão criada para acompanhar a reconstrução da região Centro, Paulo Fernandes, "o número global do valor que chegou diretamente" às pessoas, empresas e entidades públicas está "perto de 2 mil milhões de euros".

O Governo submeteu, em 13 de abril, um pedido de apoio ao Fundo de Solidariedade da União Europeia (FSUE), declarando prejuízos superiores a 5.300 milhões de euros devido ao mau tempo.

O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, vai ficar a cargo da coordenação do programa PTRR, com o apoio de uma agência temporária especializada.

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Até hoje, ainda há localidades em Leiria, na região que mais foi afetada pelo comboio das tempestades, sem comunicações. Há também cerca de 26 estradas ainda destruídas. 

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