Parlamento aprova por unanimidade voto de pesar pela morte de Carlos Brito

Voto de pesar pela morte de antigo líder parlamentar do PCP foi apresentado pelo presidente da Assembleia da República, Aguiar-Branco.

15 de maio de 2026 às 13:32
Antigo líder parlamentar do PCP faleceu no passado dia 07, aos 93 anos. Foto: Direitos Reservados
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O Parlamento aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, um voto de pesar do presidente da Assembleia da República pela morte do antigo dirigente comunista Carlos Brito, prestando tributo pelo seu legado de combate político e contributo "ímpar" no percurso democrático.

Carlos Brito, deputado à Assembleia Constituinte e antigo líder parlamentar do PCP, faleceu no passado dia 07, em Alcoutim, no Algarve, aos 93 anos. Após a leitura do voto, ao qual assistiram os familiares de Carlos Brito, todas as bancadas aplaudiram, exceção feita à bancada do Chega.

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"A Assembleia da República (...) manifesta pesar pela morte de Carlos Brito e endereça condolências à sua família e amigos. Presta tributo ao seu legado de combate político e reconhece um contributo ímpar no percurso democrático do país", lê-se no voto apresentado por José Pedro Aguiar-Branco.

No voto, refere-se que Carlos Brito, que nasceu em Lourenço Marques, mas viveu desde a infância no Algarve, "aderiu cedo aos movimentos oposicionistas" contra o regime do Estado Novo, tendo integrado o Movimento de Unidade Democrática e, depois, o PCP.

"Suportou, em razão da sua militância, perseguição política, prisão e tortura. Foi encarcerado no Aljube, em Peniche e em Caxias, cujos corredores comparou às sombrias galerias de uma mina. Passado à clandestinidade, tornou-se num importante dirigente operacional do partido", frisa-se.

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Depois, realça-se que, após o 25 de Abril de 1974, Carlos Brito foi deputado constituinte e integrou a bancada do PCP entre 1976 e 1991, "em décadas decisivas de transição democrática e transformação nacional".

"Dirigiu o Avante! e foi, em 1980, candidato à Presidência da República, tendo desistido a favor do general [Ramalho] Eanes. Em tensão ideológica com o seu partido de origem, fundou, na viragem do milénio, a associação política Renovação Comunista, defendendo a convergência das esquerdas", assinala-se ainda na parte relativa ao percurso político do antigo líder parlamentar do PCP.

O voto de José Pedro Aguiar-Branco também destaca a atividade de Carlos Brito como escritor.

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"Pai de duas filhas, deixou-nos mais de uma dezena de livros, entre obras políticas, memorialísticas e poéticas. Recebeu a Ordem do Infante D. Henrique e a Ordem da Liberdade". A seguir, acrescenta-se:

"Viveu vencendo o medo e encarnando os versos que um dia escreveu: crescer à altura de uma ideia/até à morte/e fazê-la vencer".

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