Paulo Raimundo considera que Governo chegou tarde e hesitante e menosprezou efeitos do mau tempo
Quanto aos apoios anunciados, o dirigente comunista salientou que "são insuficientes" e "tardios".
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou esta quinta-feira que o Governo chegou tarde e hesitante, além de ter menosprezado os efeitos do mau tempo.
"O Governo esteve longe daquilo que era necessário, logo desde o início. Chegou tarde, chegou hesitante, menosprezou os efeitos da catástrofe e depois procurou recuperar o terreno perdido", afirmou à agência Lusa Paulo Raimundo, que esta quinta-feira esteve na Marinha Grande, concelho do distrito de Leiria gravemente afetado pelo mau tempo.
Paulo Raimundo sustentou que o executivo liderado pelo social-democrata Luís Montenegro demonstrou "capacidade de descoordenação" que não é compatível "com a dimensão do problema".
Quanto aos apoios já anunciados, o dirigente comunista salientou que "são insuficientes, são tardios", mas "a questão fundamental é como é que isso chega à vida das pessoas, das empresas, das instituições".
Paulo Raimundo defendeu que o país, depois da depressão Kristin e agora das cheias, está numa situação em que é preciso fazer opções.
"Se queremos travar com meios, com opções e com políticas o drama que estamos a viver, enfrentar esta guerra que estamos a viver, enfrentar este problema de segurança, ou [se] queremos desviar os nossos meios que não temos para aquilo que não nos faz falta", adiantou.
Questionado se quer destacar a atuação de algum ministro, pela positiva ou pela negativa, o secretário-geral do PCP recusou "particularizar este ou aquele ministro, esta ou aquela declaração infeliz, esta ou aquela expressão até de alguma insensibilidade".
"O primeiro-ministro, desse ponto de vista, tem de se lhe tirar o chapéu, ele assume, dá a cara e, portanto, a responsabilidade é de todo o Governo e, em particular, do primeiro-ministro", declarou.
Nesse sentido, "a falta de resposta, a falta de coordenação, o ter chegado tarde e hesitante ao acontecimento, ter desvalorizado a situação e o drama, é uma responsabilidade de todo o Governo", defendeu Paulo Raimundo.
Afirmando ter visto uma "imagem desoladora" na Marinha Grande, o secretário-geral do PCP comparou a situação atual do país a uma guerra.
"Estamos, de facto, perante uma guerra, estão em causa questões até de segurança nacional e aqui, sim, é que é preciso investir de forma musculada, não é pontual, nem aos bochechos", destacou.
O dirigente comunista sublinhou ainda a resposta dos cidadãos e "a capacidade de olhar para o futuro" apesar de estarem a viver momentos difíceis.
"Há vontade de reconstruir, é preciso é que haja as condições para que isso aconteça também e achamos que estamos muito longe dessa vontade política para que isso se concretize", acrescentou Paulo Raimundo.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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