Secretário-geral do PCP visitou uma das zonas afetadas pela depressão Kristin.
O secretário-geral do PCP acusou, esta terça-feira, o Governo de menosprezar os avisos do Instituto do Mar e Atmosfera, e de anunciar medidas que não respondem "ao drama das pessoas agora", de casas sem telhados, luz ou comunicações.
"Estamos perante um Governo que se atrasou, menosprezou os efeitos da situação e agora corre atrás do prejuízo", frisou Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas numa das zonas afetadas pelas cheias em Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, referindo-se aos efeitos da depressão Kristin no distrito de Leiria.
Para Paulo Raimundo, numa situação em que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) avisa "que a situação pode tomar proporções catastróficas, o governo tem de precaver e antever o mais possível", mas "não fez nada disso, atrasou-se, hesitou e agora procura tomar medidas que são sempre insuficientes".
"As medidas [anunciadas pelo Governo] são sempre insuficientes. Mais vale tomar estas do que nenhumas. A questão é que cada habitação vai ter acesso a 10 mil euros para obras. Mas as pessoas estão num drama agora, neste momento. Como se resolve isso?", questionou.
"As pessoas querem as telhas no seu telhado. Vão ficar com os 10 mil euros e vão por as notas a forrar os tetos? As pessoas não têm luz. Ou água ou comunicações. A isto é que é preciso responder", sustentou.
Admitindo a "dificuldade" de lidar com os efeitos da destruição provocada pela depressão Kristin, e reconhecendo que não "teria uma formula mágica" para os resolver, Paulo Raimundo lamentou a falha na prevenção.
"Quando há previsão e acompanhamento cientifico do que podia acontecer, o governo precisava de se antecipar. Sabia-se que o vento ia ser muito forte, sabia-se que ia haver telhas a soltar-se. Sabia-se que podia haver falhas na energia e comunicações. Podiam ser mais ou menos. Mas sabia-se que ia acontecer", alertou.
De acordo com Paulo Raimundo, mais do que saber se o valor dos apoios previsto pelo Governo é suficiente, "é urgente resolver como as pessoas passam a ter luz, água, comunicações e casa".
"Isso não foi suficientemente acautelado e temos outro problema. Quais os instrumentos que o Estado tem hoje nas mãos para isso? Temos a rede de produção e distribuição de energia e a rede de comunicações nas mãos de outros interesses que não os nacionais", vincou.
A par disso, "não temos ao dispor serviços públicos capazes de dar resposta, desde logo a Proteção Civil", afirmou.
Para o líder do PCP, "este caminho não serve o país".
"Andamos de desastre em desastre, de catástrofe em catástrofe, de drama em drama e as soluções são sempre improvisadas, não planeadas, descoordenadas. A ver se resolve o mínimo possível para não ficar mal na fotografia", criticou.
Mas, acrescentou, "o que interessa não é ficar bem na fotografia, é a vida das pessoas".
"A dimensão da tempestade foi muito grande, mas é possível admitir, como se prevê, que um mês depois não vai haver eletricidade e comunicações em todas as casas?", questionou.
Para o secretário-geral comunista, o país não pode ter "os serviços fundamentais nas mãos de outros que não seja o Estado".
"O caso da energia e das telecomunicações é fundamental. E vamos ver se não vamos ter outro problema quando combustíveis forem para as mãos de espanhóis", avisou.
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