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Pedrógão Grande pede mais militares para ajudar a reparar telhados e casas

Autarca explicou que há ainda naquele concelho do distrito de Leiria "muitas casas destelhadas" e "muitos problemas nas habitações", a par de "uma enorme falta de mão-de-obra".

03 de fevereiro de 2026 às 13:01

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande pediu esta terça-feira mais militares para ajudar na recuperação de telhados destruídos pela depressão Kristin, admitindo que faria sentido uma "mobilização de meios" da construção civil de outras zonas do país.

"Isso aí fazia todo o sentido [uma espécie de requisição civil ou uma mobilização de meios de outras zonas do país]. Não sei quem é que poderá fazer, não sei se o governo poderá fazer. Mas, julgo que, neste momento, talvez não se justifique. O que se justificaria, eventualmente, era termos mais militares no terreno e assim poder dar-nos uma boa ajuda", disse João Marques, em resposta à Lusa.

O autarca explicou que há ainda naquele concelho do distrito de Leiria "muitas casas destelhadas" e "muitos problemas nas habitações", a par de "uma enorme falta de mão-de-obra".

"O pessoal que temos no terreno é insuficiente para fazer face a tantas solicitações. Sabemos que não é fácil responder, sabemos que estão todos ocupados na região, mas deixamos o nosso apelo à boa vontade das pessoas que queiram ajudar. Que venham ter connosco, que nós muito agradecemos", afirmou.

O autarca esclareceu que o apelo é dirigido "a pessoas que saibam trabalhar no setor, nomeadamente trabalhadores da construção civil", mas também a voluntários, a quem podem ser atribuídas tarefas menos arriscadas.

"Podem ajudar em baixo, na colocação de lonas, por exemplo", observou.

De acordo com o presidente da Câmara, 60% do concelho está a ser abastecido com energia elétrica atualmente. Nos 40% sem energia, as freguesias de Vila Facaia e, particularmente, a da Graça, são as mais prejudicadas.

"Em 33 povoações, a freguesia da Graça só tem eletricidade em quatro", alertou.

Neste momento, não há perspetivas relativamente à reposição do abastecimento de luz.

"Estamos sempre em contacto com quem está no terreno, mas não há perspetiva. Estão a fazer os possíveis, mas os postes de distribuição foram de tal forma atingidos que demora tempo", esclareceu.

A alimentação para quem precisa está a ser assegurada no "posto distrital", instalado nas cantinas do agrupamento de escolas.

Quanto às zonas mais isoladas e mais distantes do centro do concelho, o autarca esclareceu que "estão a ser acompanhadas pelas equipas do serviço social", contando com "o apoio de equipas da Cruz Vermelha".

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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