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Paulo Raimundo classifica como "asqueroso" aproveitamento político da desgraça das populações devastadas pela tempestade

Secretário-geral do PCP adiantou que este foi "mais um drama que ficou sem a resposta que devia ter sido dada".

31 de janeiro de 2026 às 20:37

O secretário-geral do PCP classificou este sábado como "asqueroso" o aproveitamento político "por parte de alguns" da desgraça das populações devastadas pela depressão Kristin, sugerindo que "deixem os vídeos, os tik toks e as palhaçadas e resolvam os problemas das pessoas".

Paulo Raimundo falava em Almada, no distrito de Setúbal, num comício intitulado "Outro Rumo para o País. Rejeitar o pacote laboral, a exploração e as injustiças" em que dedicou parte da sua intervenção à situação das pessoas que enfrentam as consequências da tempestade, com milhares sem eletricidade, água e telecomunicações, com produções agrícolas destruídas, empresas fechadas, estradas cortadas e casas inabitáveis.

O secretário-geral do PCP disse que "sucedem-se dramáticos acontecimentos e repetem-se sempre as mesmas manobras e as mesmas cenas tristes" com dificuldades e incapacidades, considerando que a única coisa nova deste acontecimento foi "o grau mais elevado do asqueroso aproveitamento político da parte de alguns, perante a desgraça do povo".

"Deixem os vídeos, deixem os tik toks, deixem as palhaçadas, resolvam os problemas das pessoas. Ponham geradores, resolvam a eletricidade, tratem da água, arranjem locais para as pessoas viverem e passarem a noite. Deixem-se de brincar com as pessoas, deixem-se de brincar com o nosso povo", disse Paulo Raimundo, frisando que "enquanto muitos perante a desgraça se põem em bicos de pés para aparecer na fotografia" ou "montam um cenário apenas para a imagem" e outros "tenham arregaçado as mangas para fazer um belo filme" as populações andam com os seus problemas por resolver.

O secretário-geral do PCP adiantou que este foi "mais um drama que ficou sem a resposta que devia ter sido dada", defendendo que revela o que tem dito há muito, que "um Estado para intervir de forma rápida, para resolver problemas de forma o mais rápido possível, tem que ter na mão as alavancas fundamentais, os setores fundamentais para poder intervir".

"Um Estado para responder não pode ter a sua produção elétrica, a distribuição elétrica e a rede elétrica nas mãos de interesses que não os nacionais. Um Estado para responder não pode ter as empresas de telecomunicações a servir tudo e todos, menos o interesse nacional. Um Estado para responder precisa de ter as alavancas na mão e, se não o tiver, fica como este está, completamente incapacitado, completamente hesitante, sem saber o que fazer, sem instrumentos para poder fazer", sustentou.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No concelho da Batalha, distrito de Leiria, um outro homem de 73 anos morreu este sábado ao cair de um telhado quando estava a reparar as telhas.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos registados.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

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