Paulo Rangel critica visita do líder do PS à Venezuela
Ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu que encontro não foi coordenado com o Governo.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, criticou esta terça-feira, no parlamento, a visita do secretário-geral do Partido Socialista (PS) à Venezuela, garantindo que não foi coordenada com o Governo e que "não fez mossa".
"A visita do PS não foi coordenada com o Governo, foi puramente partidária. Não imagino o que seria se fosse ao contrário", declarou Paulo Rangel quando questionado sobre o tema na audição regimental da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.
"Foi uma espécie de diplomacia paralela e o continuar de funções de quem já as teve no passado", criticou, referindo-se a José Luís Carneiro, que foi secretário de Estado das Comunidades Portuguesas entre 2015 e 2019.
Durante a sua visita, com uma duração de quatro dias, José Luís Carneiro reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, esteve no parlamento nacional e manteve contacto com as comunidades nos estados de Miranda, Arágua, Carabobo e La Guaira.
Esteve agendada uma audiência com a Presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, que acabou por não ocorrer.
Por outro lado, o chefe da diplomacia portuguesa assegurou que têm sido feitos contactos com as autoridades venezuelanas com foco na libertação dos seis luso-venezuelanos que ainda se encontram detidos.
"Neste momento, temos seis luso-descendentes detidos que também têm acusações de delito comum. No entanto, as suas famílias afirmam que estas acusações são infundadas", indicou.
O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, explicou, na audição parlamentar, que foi à Venezuela, entre 31 de março e 03 de abril, e que, no primeiro dia, se reuniu logo com o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil, tendo a questão dos detidos sido um dos temas debatidos.
"O ministro pediu-me que lhe indicasse o nome dos seis luso-venezuelanos detidos e essa informação foi rapidamente transmitida", indicou, acrescentando que, entre outras reuniões e encontros, esteve com as famílias dos detidos.
Emídio Sousa referiu também que 25% da ajuda externa portuguesa é para a Venezuela, disse que o Governo está disponível para ajudar a reerguer a nação sul-americana e que Portugal apoia o levantamento de algumas sanções à Presidente interina, Delcy Rodríguez.
Os Estados Unidos da América efetuaram uma intervenção militar, no início do ano, na Venezuela que resultou na detenção do ex-Presidente Nicolás Maduro.
Maduro foi capturado pelas autoridades norte-americanas e transferido para os Estados Unidos, onde enfrenta acusações relacionadas com narcotráfico e outros crimes.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt